Primeiro projeto de curso de Psicologia

Instituto de Psicologia do Ministério da Educação e Saúde

O Laboratório de Psicologia:

Pelo Decreto n.21.173 de 19 de março de 1932, do Governo Provisório, o Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas, até então ligado à Assistência de Psicopatas e sob a jurisdição do Ministério de Justiça, foi convertido em Instituto de Psicologia. O artigo 2 deste mesmo decreto coloca o Instituto de Psicologia sob dependência imediata do Ministério de Educação e Saúde Pública (recém criado na época), enquanto não fosse instalada a Faculdade de Educação, Ciências e Letras.

O Instituto de Psicologia tinha por objetivo coordenar estudos e pesquisas de psicologia geral e aplicada; servir como centro de aplicação das técnicas de diagnose psicológicas, para os serviços de orientação e seleção profissionais; contribuir para os estudos de aplicação da psicologia à pedagogia, medicina, técnica judiciária e racionalização do trabalho industrial; e formar psicólogos profissionais, mediante cursos teóricos e práticos e com estágio obrigatório em seus laboratórios. Em seu artigo 3° o referido decreto instituía as seguintes seções:

I. Psicologia Geral;
II. Psicologia Diferencial e Orientação Profissional;
III. Psicologia Aplicada à Educação;
IV. Psicologia Aplicada à Medicina;
V. Psicologia Aplicada ao Direito.

O curso de Psicologia:

O primeiro curso de psicologia no Brasil, com duração de quatro anos, possuía as seguintes etapas e disciplinas (Jacó-Vilela, 1999):

I. Psicologia Geral (aspectos da Biologia, Anatomia, Fisiologia, Física, Química, Propedêutica Filosófica e Lógica);
II. Psicologia Diferencial e Coletiva (além de continuidade de temas das ciências biológicas e naturais, introdução das ciências sociais - Antropologia, Sociologia, Economia Política, História da Filosofia, Teoria do Conhecimento, Teoria das Ciências Naturais);
III. Psicologia Aplicada à Educação (Psicologia Aplicada e cursos monográficos de especialidades psicológicas e ciências afins - Psicologia da Criança, História da Psicologia, Ética e Estética);

"O primeiro curso, com duração de um semestre, teve as seguintes disciplinas e professores (Penna, 1992, p. 20-21): Psicologia Geral (Radecki), História da Psicologia (Edgard Sanches), Estudo do fator psíquico em Biologia (Ubirajara da Rocha), Metodologia do trabalho experimental em Psicologia (Lucília Tavares), Correntes atuais da Psicologia (Jaime Grabois), Psicologia em face dos dados da teoria do conhecimento (Euryalo Cannabrava), Problemas fundamentais da Psicopedagogia (Halina Radecka), Os problemas da psicotécnica (Arauld Brêtas)" (Jacó-Vilela, 1999: 83).

"Entretanto, após somente sete meses de funcionamento, o Instituto de Psicologia é extinto. Segundo Centofani (1982), três são as possíveis causas de seu fechamento: falta de recursos orçamentários, pressão de grupos médicos e pressão de grupos católicos". (Jacó-Vilela, 1999: 8). Conclui Jacó-Vilela que: "parece que a proposta pioneira de Radecki sucumbiu por pressões corporativas e ideológicas - preservação de um campo de conhecimento sem as delimitações próprias de especialismo capitalista, ao lado de manutenção da religião, cujo estatus encontra-se em crise". (Jacó-Vilela, 1999: 84).

Em 5 de julho de 1937, a Lei n.452 que organizou a Universidade do Brasil, tornou o Instituto de Psicologia parte integrante da mesma com a finalidade de cooperar nos trabalhos dos estabelecimentos de ensino previstos no parágrafo 2 do artigo 4°, a saber: Faculdade Nacional de Filosofia, Ciências e Letras, Faculdade Nacional de Educação e Faculdade Nacional de Política e Economia Pelo Decreto-Lei n. 8.393, de 17 de dezembro de 1945, que concedeu autonomia administrativa, financeira, didática e disciplinar à Universidade do Brasil, o Instituto de Psicologia, além de manter a categoria de estabelecimento de ensino, passou a Instituto Científico e de Pesquisa. Pelo Decreto n.21.321, de 18 de junho de 1946, o Instituto de Psicologia passou à categoria de Instituto especializado incorporado à Universidade do Brasil, destinado a cooperar com as escolas e faculdades em seus fins de ensino e pesquisa e a desenvolver de acordo com as suas possibilidades, atividades de produção e pesquisa em benefício da coletividade e no interesse universitário. Assim permaneceu e funcionou, até o advento da Lei n. 4.119/62 que regulamentou o ensino de Psicologia e criou a profissão de Psicólogo. Por força do Decreto-Lei n.53, de 18 de novembro de 1966, do Decreto-Lei n.252, de 28 de fevereiro de 1967 e do Decreto n.60-455-A de 13 de março de1967 a Universidade do Brasil passou a denominar-se Universidade Federal do Rio de Janeiro, e a Faculdade Nacional de Filosofia Ciências e Letras foi desmembrada em várias Escolas, Faculdades e Institutos, passando o Instituto de Psicologia à categoria de Unidade Universitária de Ensino e Pesquisa dentro do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ.

Detalhando o curso, encontramos o seguinte trecho em Centofanti:

"O curso profissional comportará as seguintes etapas:

1. na primeira, far-se-á o estudo da Psicologia Geral, baseado nas ciências biológicas e naturais, que serão estudadas no que interessam à Psicologia (biologia, anatomia e fisiologia, física e química). Nesse período, far-se-á também o estudo da propedêutica filosófica e de problemas particulares da lógica.

2. à segunda, corresponde o estudo da Psicologia diferencial e coletiva, baseado também nas ciências naturais, completado, entretanto, pelas ciências sociais e filosóficas (antropologia, sociologia, economia política, história da filosofia, teoria do conhecimento, teoria das ciências naturais, nas partes que apresentam interesses para a formação de psicologistas).

3. a última abrange os cursos de Psicologia Aplicada e os cursos monográficos de especialidades psicológicas e ciências afins (psicologia da criança, história da psicologia, capítulos de ética e de estética, etc.).

A todos os cursos presidirá uma unidade de orientação, de modo que, ministrando-se ao aluno noções sobre um dado domínio, recebe ele, contemporaneamente, nas outras disciplinas, conhecimentos correlatos.

As aulas serão complementadas pelos exercícios práticos de laboratório e pelas aulas de argüição mútua dos alunos (seminário).

Os alunos com suficiente preparo teórico entrarão como internos nos serviços de aplicações especializadas, nas várias sessões.

O ano letivo será dividido em dois semestres.

A duração do curso profissional será de quatro anos para as pessoas de instrução secundária ou normal, e poderá sofrer redução até dois anos para as pessoas de instrução superior" (Centofanti, 1982).

Referencial Bibliográfico:

http://www.psicologia.ufrj.br/ip_inicio.htm. Coletado em 20/05/2003.

Centofanti, R. (1982). Radecki e a Psicologia no Brasil. Psicologia Ciência e Profissão. 3(1): 3-50.

Jacó-Vilela A. M. (1999). Formação do psicólogo: um pouco de história. Interações: Estudos e Pesquisas em Psicologia. 8(4): 79-91. Supl. Jul/dez.

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