Grupo de Trabalho sobre Educação a Distância da
ABEP
TEXTO PRELIMINAR E PLANO DE TRABALHO
Aprovado por unanimidade pela Assembléia Geral da
ABEP em 08/09/2007.
Apresentação:
Contexto
Em Março de 2007 a Associação Brasileira
de Ensino de Psicologia (ABEP) constituiu oficialmente seu Grupo de Trabalho
(GT) sobre Educação a Distância (EaD), seguindo intenção que já vinha sendo
anunciada desde o III PsicoInfo - III Seminário Brasileiro de Psicologia e
Informática - em Novembro de 2006.
A participação da Psicologia na
discussão sobre EaD faz-se premente, haja vista:
-
a enorme expansão que a EaD vem tendo, em decorrência do incentivo dado pelo
Governo Federal;
-
suas perspectivas (reais ou especulativas) de aumentar o acesso à educação
superior com baixo custo;
-
a possibilidade de cursos de Psicologia à distância começarem a ser
credenciados; e
-
diante do fato de presentemente serem adotadas disciplinas a distância e
semi-presenciais em cursos de Psicologia no país.
Além disso, a Psicologia pode contribuir
também para o aprimoramento de cursos à distância que ocorram em outras áreas,
dado integrar seu objeto de estudo os processos de aprendizagem e os de
interação interpessoal, presentes em qualquer processo educacional, presencial
ou não.
A missão do GT é elaborar um documento
que compile, analise e avalie, de forma ampla, as possibilidades e limites do
uso de ferramentas de EaD na formação em Psicologia, servindo de base para
discussões na esfera da ABEP que levem a um posicionamento da entidade em
relação à questão.
O GT julgou por bem apresentar à
Assembléia da ABEP de 8/9/2007 seu plano de trabalho para que este possa ser
aprimorado, novos membros possam ser incorporados ao grupo, e se dê (eventual)
continuidade aos seus trabalhos da forma mais transparente possível.
Membros
O GT sobre EaD foi composto por membros
da diretoria da ABEP, além de outras pessoas indicadas por esta diretoria,
procurando envolver pessoas que vinham se posicionando sobre o assunto em
diversos foros de debate. Visa congregar opiniões e pensamentos diversos sobre
a questão, desde aqueles contrários ao uso de ferramentas de EaD na Psicologia,
até aqueles favoráveis a este uso, passando pelas diversas posições
intermediárias. No entanto, na confecção do presente documento, não
participaram pessoas de opinião radicalmente favorável ou contrária.
São membros ativos do GT (em 09/2007) e
responsáveis pelo presente texto: Eric Calderoni, Marcos Benassi (coordenador)
e Régis Tractenberg.
Participaram também da concepção deste
plano de trabalho os diretores da ABEP Dreyf de Assis Gonçalves, Marcos Ribeiro
Ferreira e Roberta Gurgel Azzi. Os trabalhos do grupo foram acompanhados também
em algum momento por: Ives Lima Oliveira, Liliana Santos, Maria Cristina Joly,
Oliver Zancul Prado, Paulo Gomes de Sousa e Rosemar Prota.
A Assembléia da ABEP de 8/9/2007 aprovou
que a indicação dos membros do GT continuará sendo atribuição da diretoria da
ABEP, de tal forma que os nomes de pessoas interessadas em fazer parte do grupo
ou que sejam sugeridos pelos núcleos regionais para isso, deverão ser
encaminhados à diretoria da ABEP.
Objetivos:
São objetivos deste GT:
-
Apresentar uma visão ampla do que pode ser o emprego de ferramentas de Educação
a Distância na formação em Psicologia, particularmente no nível de graduação;
-
Relatar experiências de emprego da EaD em "cursos de referência" na área, bem
como de experiências nas quais a EaD foi utilizada de maneira inapropriada,
discorrendo sobre como avaliar o uso da EaD;
-
Fazê-lo de forma qualificada, apresentando trabalhos que abordem o tema de
forma séria e diversificada, sobretudo em relação à avaliação da qualidade da
formação proporcionada;
-
Compilar e refletir sobre a legislação nacional que rege esta prática;
-
Discutir o impacto do uso de EaD na formação;
-
Refletir sobre limites e possibilidades para o uso da EaD:
características ideais, limites, parâmetros para sua implementação, demandas às
instituições, entre outras questões;
-
Contribuir para a reflexão sobre como a Psicologia pode ser útil ao
desenvolvimento da EaD nas diversas áreas.
O resultado final dos trabalho do GT
deverá ser a constituição de um documento de informação e de reflexão, insumo
para discussões na ABEP, indicando o que será considerado pelo GT como usos
possíveis e/ou recomendáveis de ferramentas e práticas de EaD, e dentro de que
condições, para uma formação em Psicologia de boa qualidade, bem como usos e
práticas de EaD consideradas pelo GT como não-recomendáveis nessa formação.
O Documento de Posição
Pressupostos e princípios
A discussão sobre a educação a distância
usualmente polariza opiniões e atitudes, muitas vezes passionais, alinhadas à
rejeição ou entusiasmo em relação a suas possibilidades.
O objetivo do GT é examinar a questão,
analítica e criticamente, procurando posicionamentos fundamentados empirica e
teoricamente, em relação aos vários aspectos relacionados ao uso da EaD.
O GT pretende considerar as diferenças
entre o ideal e o real e o teórico e o empírico, entendendo que, por vezes,
críticas ou os elogios ocorrem em relação a formas idealizadas de aplicação,
tanto do ensino presencial como da EaD.
Um dos pressupostos deste GT é o de que,
realisticamente, o ensino presencial dos dias atuais padece de inúmeros
problemas, e que quaisquer considerações acerca dos milagres ou mazelas da EaD
devem ser feitas à luz de um sistema de ensino real. Não é por trazer em seu
bojo ferramentas de alto potencial que o emprego da EaD poderá, por si só,
solucionar todas as questões problemáticas no ensino presencial real; porém,
pode contribuir para melhorar alguns de seus aspectos. Inversamente, pode ser
que certos usos da EaD tragam novos problemas ou agravem alguns já existentes
no atual ensino presencial. Em todo caso, não será jamais a modalidade do
ensino, seja presencial ou a distancia, por si só, panacéia capaz de fazer
frente a todas as influências econômicas, políticas e culturais que prejudicam
o estado da educação.
Outra razão que explica a polarização de
atitudes em relação à EaD é que freqüentemente ocorrem discussões que
consideram comparações entre cursos integralmente presenciais com cursos
integralmente a distância. Pretende-se aqui dar especial atenção às
possibilidades de integração dos pontos fortes de ambas as modalidades, em
cursos semi-presenciais ou cursos presenciais que utilizem ferramentas de EaD.
Isso pode se dar tanto em relação à combinação entre disciplinas ou módulos que
ocorram (predominantemente) a distância com outros que ocorram
(predominantemente) presencialmente, como em relação ao uso de atividades a
distância em disciplinas e módulos que contenham aulas presenciais.
Chamamos a atenção para o fato de que os
cursos presenciais sérios sempre incorporam elementos de educação a distância,
ainda que não necessariamente de educação a distância mediada por computador,
como é o caso do livro indicado, do texto didático, dos exercícios, dos
trabalhos e do estudo para as provas. Entendemos que devem ser investigadas as
possibilidades e limites da mediação por computador contribuir para o
aperfeiçoamento desta parte da educação dita exclusivamente presencial, mas que
já incorpora esses elementos de educação a distância atualmente não mediada (ou
nem tão mediada) por computador.
Assim, apresentamos a distinção
necessária entre os conceitos de educação a distância e o de aprendizagem
mediada por computador. Nem toda educação a distância necessariamente é mediada
por computador, como acontece nos exemplos acima de elementos a distância em
cursos presenciais e como acontecia algumas décadas atrás (e ainda acontece)
nos cursos por correspondência. Tampouco toda aprendizagem mediada por
computador é a distância, como por exemplos nos casos das aulas presenciais que
se realizam no "laboratório de informática", da projeção de datashow durante
aulas presenciais e da reunião presencial de alunos para redigirem num editor
de texto um trabalho em grupo. O GT manterá tal distinção analítica entre os
conceitos e portanto procurará se manifestar quando adequado sobre as quatro
possibilidades (presencial ou a distancia, com ou sem mediação por computador).
O foco do trabalho deverá centrar-se na aprendizagem predominantemente
presencial e não mediada por computador e a aprendizagem predominantemente a
distância e mediada por computador, que é ao que normalmente se referem os
debates que vêm se dando no uso da expressão "EaD" pelo senso comum.
Propõe-se também uma discussão
relacionada às especificidades das diferentes disciplinas do curso de
Psicologia, considerando ganhos que podem advir do uso de ferramentas
eletrônicas de comunicação, de materiais interativos (demonstrações,
simulações), do acesso imediato à informação, entre outros, quando conjugados a
estratégias didáticas que explorem adequadamente esses recursos, com vistas a
seus objetivos de formação e da prática profissional futura embasada nesses
conhecimentos.
Embora sem dúvida a possibilidade de
redução de custos seja uma vantagem importante de algumas formas de emprego da
EaD, será marcada posição crítica ao uso da EaD meramente justificada em tais
bases, sem os necessários investimentos em infra-estrutura e em remuneração
docente, e sem preocupação com os impactos de diferentes usos da EaD sobre a
formação. Um emprego de EaD que somente almeja expandir a oferta de vagas e
aumentar ganhos em relação ao capital previamente investido, ou eximir o Estado
de proporcionar formação de qualidade.
Há ainda que se diferenciar o uso de EaD
em grandes centros urbanos de usos específicos que visem a ampliação do acesso
à educação para comunidades distantes de centros urbanos, e para casos
envolvendo pessoas com dificuldade de locomoção (por exemplo, detentos, doentes
graves, deficientes físicos e pessoas que não podem deixar suas comunidades de
origem para realizar sua formação).
Finalmente, coloca-se a discussão sobre
o uso de novas tecnologias como meio de comunicação e cooperação entre
comunidades acadêmicas, algo que não está diretamente relacionado ao currículo,
mas dá suporte a outros processos importantes na educação superior.
Tais pressupostos norteiam o trabalho
deste grupo, tal como está presentemente constituído, e enunciam como almeja
funcionar a partir de um estabelecimento mais amplo e referendado.
Itens de trabalho/estudo/discussão deste GT
1. Lista de cursos de formação em
Psicologia que utilizem EaD em algum grau
Embora não se tenha ainda cursos de
graduação em psicologia exclusivamente a distância no Brasil, foi autorizado
pelo MEC - através da portaria 4.059 de 10/12/2004 - que 20% dos créditos dos
cursos de graduação presenciais possam ser cumpridos em disciplinas
semi-presenciais, e muitas IESs implementaram estratégias/ferramentas de EaD,
em graus variados.
O GT se propõe a pesquisar e avaliar uma
amostra significativa de como isso vem sendo implementado, em que disciplinas,
quais recursos são utilizados e como os alunos e professores têm avaliado tal
uso.
Observa-se também informalmente que
ferramentas/práticas pontuais de educação a distância são utilizadas na maioria
dos cursos de Psicologia - e não somente de Psicologia - envolvendo práticas
mediadas por computadores, como por exemplo:
-
recados do professor enviados por e-mail para as turmas;
-
blogs do professor ou da turma;
-
lista de e-mails da turma ou de Centro/Diretório Acadêmico, muitas vezes sem a
mediação de professores ou instituição;
-
trabalhos e notas entregues e consultados pela internet ou por sistemas de
gestão acadêmica internos;
É objetivo do GT pesquisar a realidade
dos cursos de Psicologia, ampliando e consolidando a descrição dos recursos
utilizados.
2. Questões emergentes associadas ao uso
de EaD
a) Principais críticas/receios:
-
Currículo oculto e aprendizagem informal
Um dos argumentos mais comuns para
justificar a opinião de que seria inadequada a formação inicial (graduação) a
distância, é o de que a formação envolve muito mais do que o conteúdo das aulas
e a realização de exercícios, trabalhos e provas. A argumentação desses
críticos da EaD é a de que na formação inicial é indispensável o currículo
oculto: atitudes e valores que o aluno aprende por modelação e interação no
contato com professores e colegas, e que esse currículo oculto ficaria
prejudicado na EaD.
Reproduzimos, como exemplo desta linha
de argumentação, o parecer exarado pelo Dep. Carlos Abicalil, aprovado pela
Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, em relação ao PL 7.515
de 2006:
"Nossa preocupação se refere particularmente em relação à utilização de
educação a distância na formação inicial. Entendemos, que no caso da formação
inicial deve-se priorizar o ensino presencial pelo papel exercido pelo
currículo oculto. O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos
do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficial, explícito,
contribuem, de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes. O que se
aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes, comportamentos e
valores que fazem parte intrínseca da formação do jovem estudante e que não
podem ser desprezadas. Podemos afirmar que o currículo oculto é tão importante
quanto o currículo oficial.
Assim, na formação inicial é fundamental
o ensino presencial para formarmos profissionais cidadãos e não simples
tecnocratas. Nestes termos, propomos emenda que suprime a expressão:
"utilizando especialmente recursos e tecnologias de educação a distância" [do
parágrafo único a ser acrescentado ao Art 62 da LDB se aprovado o PL
7.515/2006]" (ABICALIL, 2006: 2)
No âmbito deste GT, entende-se que o
currículo oculto é ´transmitido´ por meios formais, porém de modo não
explícito. Já a aprendizagem informal é aquela que acontece nos "papos de
corredor", no "boteco", nas conversas com professores e entre colegas fora dos
momentos planejados. É preciso considerar que tanto o currículo oculto quanto a
aprendizagem informal ocorrem na EaD, com suas peculiaridades. Considera-se que
parte ou a totalidade desses processos é uma de suas características mais
importantes, cerne do que se chama web 2.0, baseada na colaboração e troca
informais entre pessoas de lugares e origens distintas.
No entanto, certamente, os elementos da
aprendizagem informal e da transmissão do currículo oculto ocorrem
diferentemente na EaD e na presencial. Há formas de interação entre pessoas
facilitadas pelo contato presencial, e outras facilitadas pelo contato mediado
por tecnologia. Será objetivo do GT aprofundar-se no estudo de que formas
seriam essas, e no impacto que tais diferenças no currículo oculto e na
aprendizagem informal entre o ensino presencial e a distância implicariam no
perfil dos egressos. Haveria valores, habilidades e raciocínios transmitidos
mais facilmente a distância e outros mais facilmente presencialmente? Haveria
maneiras de cursos de graduação em geral, e especificamente de cursos de
graduação em Psicologia, beneficiarem-se dos pontos fortes de cada modalidade?
-
Deterioração das relações de trabalho docentes
As formas de uso da EaD que produzem
formação de maior qualidade não são necessariamente aquelas mais baratas. No
entanto, o cálculo de custos é o fator decisivo a levar Instituições de Ensino
a optarem pela EaD.
Uma das dimensões decorrentes das
reduções de custos é a precarização das condições de trabalho dos docentes.
"Se, por um lado, a educação a distância cria condições
para uma maior socialização do conhecimento, por outro, não há dúvidas de que
essa modalidade de ensino, da maneira como vem sendo utilizada pelas escolas
privadas, tem intensificado as atividades dos professores, precarizando as
condições de trabalho. Esse foi o consenso entre os participantes do 4º
Encontro de Professores da Educação Superior, realizado nos dias 6 e 7 de julho
de 2007, no Othon Palace, em Belo Horizonte. (...) Esse recurso a EaD é usado
para precarizar as condições de trabalho, aumentando o número de horas
trabalhadas e de alunos orientados e diminuindo o salário. Há instituições que
contratam docentes para ministrarem aulas para mais de mil alunos." (SINPRO-MG,
2007)
Outra crítica, freqüente ao modelo de
EaD, se faz em relação à divisão de tarefas entre tutor e
professor-conteudista, cabendo ao tutor a maior parte do contato direto com os
alunos, criando-se a divisão entre uma elite que projeta e prepara o curso, e
quem o conduz. Em última instância, isso alienaria o conteudista do contato
direto com os alunos, e alienaria o tutor da autonomia para planejar o curso,
ou seja, uma divisão entre quem concebe o curso e quem o conduz.
A figura do educador com o contato com o
aluno é, nesses termos, assim desqualificada: nem sequer de professor tal
figura (o tutor) é chamada.
A Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE) denuncia que o tutor fica
a descoberto dos acordos coletivos que protegem os professores e recebem
freqüentemente menos do que professores do quadro negro. Embora muitos de fato
sejam mestres, não há a mesma demanda de requisitos de mestrado e doutorado ao
tutor (Nunomura, 2007).
Assim, em suma, há indícios de que o uso
da EaD que vem sendo feito no Brasil na maioria das vezes deteriora as
condições de trabalho docentes: com aumento da jornada e do número de alunos
por professor, prejudicando o nível de atenção a cada aluno, reduzindo o tempo
disponível para atividades de pesquisa. Há também indícios de redução do
salário docente, e diminuição dos postos de trabalho em comparação com os que
seriam criados para atender ao mesmo número de alunos nas condições que ocorrem
no ensino presencial.
-
Simplificação do conteúdo
Alguns críticos colocam que o conteúdo
transmitido através da EaD seria super-simplificado em relação ao que pode ser
transmitido presencialmente. Por um lado, isso decorreria da perda de
seletividade discente, devido à ampliação das vagas. Por outro, argumenta-se
que isso seria inerente à modalidade de ensino mediada por computador.
O GT entende que a perda de seletividade
discente, com a conseqüente ampliação do acesso ao ensino superior, e o
rebaixamento do nível dos ingressantes, não são problemas específicos da EaD,
ou causados por seu emprego, embora eventualmente possam ser agravados
por ela. Também no ensino presencial - sobretudo nas IESs particulares de menor
tradição acadêmica - a seletividade no ingresso é baixa, demandando formas de
conteúdo simplistas para atender ao novo perfil dos alunos.
Em alguma medida, essa discussão se
aproxima àquela do currículo oculto, já que um dos argumentos principais é
justamente o de que as explicações e comentários que acompanham a apresentação
do material didático no ensino presencial , em interação com os alunos,
complementaria significativamente o conteúdo apresentado.
Coloca-se ainda que a simplificação do
conteúdo não é necessariamente equivalente à sua "simplorização", em alguns
casos meramente propiciando maior clareza através de um esforço em direção ao
didatismo e à concisão.
-
· Dissociação entre ensino, pesquisa e extensão e desnacionalização da educação
Na análise do Sindicato Nacional dos
Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), na educação a
distância há redução das possibilidades de pesquisa e extensão, bem como
tendência a se utilizar material de origem estrangeira. Somando-se estes dois
aspectos, ter-se-ia uma "educação colonizada":
" A rapidez com que caminha a implantação da Universidade Aberta do Brasil -
sistema baseado em fundação de direito privado, apoiada pelas empresas estatais
- parece indicar que este será o modelo utilizado para ampliar as vagas
públicas, conforme promessa feita no início da atual gestão. É bastante
provável que este será o mecanismo para acelerar a formação de professores.
Resta a pergunta: como burilar, na metodologia da educação a distância, a todas
as facetas necessárias ao trabalho do educador, que freqüentemente são
atingidas pela velha e consagrada receita do contato com a figura-mestre em
quem o aprendiz se espelha?
A EaD, que seria mais apropriadamente denominada ensino a distância, já que, na
maioria dos casos, não contempla os aspectos que caracterizariam a educação,
constitui, na verdade, uma ameaça ainda maior. A educação superior no Brasil
não está apenas à mercê do setor mercantilista nacional, mas também no foco de
um grande interesse internacional que é impulsionado enormemente pelos acordos
GATS da Organização Mundial do Comércio - OMC . Claro está que, nesta
conjuntura, o ensino a distância pode facilmente tornar-se instrumento de uma
neocolonização, desta vez, muito mais grave, atingindo e reformulando cultura,
conceitos e idéias, por meio de "pacotes educacionais"." (ANDES-SN, 2006: 4)
É importante frisar, no entanto, que a
preocupação com desnacionalização do ensino superior, e a conseqüente
importação de conteúdos, encontra fundamento, embora seja apontada pelas
entidades sindicais como mais freqüente na EaD, também em relação ao ensino
presencial, o qual vêm recebendo pesados investimentos estrangeiros. Nesse
sentido, há denúncias da CONTEE (e.g. Petta, 2007; Peixoto, 2007), que luta
para que o MEC impeça que se continue vendendo IESs brasileiras a grupos
estrangeiros, enquanto não é aprovado o PL 7200/06, o "PL da Reforma
Universitária", que limitaria o capital estrangeiro em cada IES a 30%.
Em relação à dissociação entre ensino,
pesquisa e extensão, é importante também ressaltar que a maioria dos
professores em IESs privadas já são estão contratados em regime de horistas,
com pouca possibilidade de pesquisar e coordenar projetos de extensão, pelo
menos não de forma remunerada. Problemas de jornada de trabalho, de excesso de
alunos, etc., são freqüentes, assim como nas públicas há marcada tendência do
aumento do número de alunos por docentes (média de 8,6 no ano de 1985, 9,2 em
1995 e 12,2 em 2005, por dados do INEP) e, por conseqüência, do aumento do
tempo que cada docente dedica ao ensino em relação ao quanto dedica a outras
atividades acadêmicas, mesmo apesar das exigências de produtividade científica
terem se tornado mais rigorosas.
Assim, concordamos com o ANDES que se a
EaD aumentar a jornada de trabalho, aumentar o número de alunos atendidos e não
incorporar tempo para pesquisa e extensão no contrato dos docentes, ela manterá
ou agravará tal quadro. No entanto, resta a este GT aprofundar a discussão de
até que ponto tais condições de trabalho precisam necessariamente se dar na
EaD, bem como se precisariam necessariamente se dar no ensino presencial.
Em outras palavras, até que ponto
haveria características inerentes à modalidade de ensino que favoreceriam tal
dissociação. De fato, se o modelo da EaD for fundado na alienação entre tutoria
e elaboração dos cursos e se a principal vantagem da EaD não for pedagógica,
mas em relação a corte de custos advindos da precarização, deterioração e
intensificação do trabalho, com aumento de escala, então o modelo da EaD
agravaria a situação de progressiva dissociação entre ensino, pesquisa e
extensão que já se verifica nas instituições que oferecem ensino presencial.
Faz parte do plano do GT comparar os
índices de evasão em diversos contextos do ensino presencial e em diversos
contextos da EaD, já que é sabido que alguns cursos a distância têm índices de
evasão muito grandes. O GT procurará descrever e avaliar explicações que são
atribuídas na literatura a este fenômeno e pensar em possíveis especificidades
de sua manifestação no contexto de cursos de psicologia, bem como pensar em
como a psicologia poderia compreender e lidar melhor com este fenômeno em
geral.
-
Necessidade de estágios presenciais / dinâmicas de grupo
No caso de cursos que formam
profissionais, como é o caso do curso de Psicologia, é importante considerar
que as práticas de formação influenciam diretamente a capacidade posterior de
exercício profissional.
Daí a importância do estágio em serviços
de extensão, prestados pela própria IES ou externamente, sob supervisão de
professores do curso.
Eventualmente se poderia conceber uma supervisão a distância, restando-se
avaliar a qualidade em relação às modalidades presenciais de supervisão,
consideradas práticas profissionais idênticas.
Contudo, considera-se a necessidade de o estágio ter que, obrigatoriamente, ser
realizado de forma presencial, caso se espere formar psicólogos para o
exercício presencial da profissão. Da mesma forma, caso se vise habilitar os
psicólogos para a coordenação de grupos presenciais, pode ser necessário que
passem por dinâmicas de grupo presenciais durante a graduação.
Inversamente, caso se deseje formar psicólogos para atuarem a distância, podem
ser importantes componentes a distância em sua formação.
Nota-se que o perfil de psicólogo que
temos hoje trabalha principalmente de modo presencial nas várias áreas de
atuação. No caso da psicoterapia, existe inclusive a Resolução 12/2005 do
Conselho Federal de Psicologia, que dispõe que o atendimento psicoterápico pela
internet não é considerado prática com validade científica, podendo portanto
ser realizado somente de maneira experimental, vinculado à pesquisa
credenciada.
O VI Congresso Nacional da Psicologia,
realizado em julho de 2007 optou pelo seguinte encaminhamento a este respeito:
" Posicionar-se junto ao Fórum
de Entidades da Psicologia Brasileira (FENPB) e Fórum Nacional
de Educação das Profissões na Área de Saúde (FNEPAS) a favor
do ensino presencial, garantindo, na graduação, o ensino teórico-prático
da Psicologia." (encaminhamento h da tese 62).
Há posicionamentos contra a EaD na
formação inicial tirados também em fóruns da área da educação que serão, como
todas as questões aqui apresentadas, mais bem investigados, e analisados no
caso de a Assembléia da ABEP aprovar a continuidade dos trabalhos do GT.
b) Principais pontos positivos/esperanças:
A possibilidade de redução dos custos
finais da formação, comparada à educação presencial, é uma das características
animadoras da EaD. Essa redução poderá ocorrer diferentemente em função de
inúmeras variáveis: custos de deslocamento, hospedagem/moradia, alimentação,
manutenção de atividade profissional concomitante, custo específico do curso
etc.
A redução nos custos de
produção/condução dos cursos também está relacionada a diversas variáveis:
iniciativa isolada ou consorciada, infra-estrutura, remuneração de
professores/tutores, tipo de EaD desenvolvido e escala da iniciativa, entre
outras.
Dito de forma simplificada, a redução de
custos
pode
acontecer e frequentemente acontece, mas não acontece necessariamente. Na
análise da redução de custos, é importante diferenciar aqueles que se devem à
precarização de condições de trabalho e de infra-estrutura daqueles que são
ganhos inerentes à modalidade, pelos itens mencionados acima.
Ao flexibilizar os horários e locais de
curso, a EaD permite que, em situações nas quais esses sejam fatores críticos,
possa se desenvolver um processo de formação. Esse maior acesso dependerá
também de outros fatores, como acesso aos materiais didáticos (físicos ou
digitais), existência de microcomputador e recursos de comunicação.
Com a redução de custos que a EaD pode
proporcionar, sobretudo se utilizada sem investimentos que garantam sua
qualidade, o acesso é facilitado, com a redução das mensalidades -
especificamente no ensino privado - e com a ampliação do número de vagas, tanto
no ensino privado como no público.
-
Métodos mais minuciosamente planejados/Maior padronização/ garantia de
qualidade
Os materiais e práticas didáticas, por
terem intenso desenvolvimento prévio, podem ser mais bem controlados,
integrados e atualizados; a relação de professores e alunos com o ambiente de
EaD pode ser auditada; a prática docente pode ser mais homogênea, garantindo-se
um nível mínimo de qualidade.
-
Maior flexibilidade de horários e ao ritmo de cada aluno
Ainda que não ofereça completa adaptação
ao ritmo individual, a cadência periódica de leituras, atividades e interações
humanas permite que, dentro de um período pré-determinado, os alunos cumpram
com seus requisitos de formação quando lhes for possível/conveniente (por
exemplo, as atividades da semana ou quinzena).
-
Melhor ambiente de estudos (com conforto, privacidade,etc...)
Uma das propagandeadas vantagens da EaD
é justamente a da manutenção de um conforto existente no local privado de
estudos. Isso pode advir de um conforto direto, relacionado às
instalações/ambiente, e também do conforto do não-deslocamento - ou redução
deste - do ganho de tempo daí advindo.
-
inibição X facilitação social e processos grupais como norte para a discussão
de alguns destes tópicos
Estudos sobre o fenômeno da inibição
social (quando indivíduos produzem menos, mais lentamente ou com pior qualidade
na presença física de outras pessoas) e do fenômeno da facilitação social
(quando as pessoas produzem mais, mais rapidamente ou melhor na presença de
outras pessoas), revisados por Zajonc (1965), indicam que as pessoas aprendem
tarefas novas e complexas melhor quando estão desacompanhadas e desempenham
melhor os comportamentos que já estão bem aprendidos quando estão na presença
física de outras pessoas.
Isso pode reforçar o argumento de que a
privacidade da biblioteca ou do próprio computador é importante para estudar
teorias e ensaiar técnicas complexas. No entanto, para adquirir competências
que envolvem interações com outras pessoas, como é o caso da maior parte do
trabalho do psicólogo, a presença dos outros traz contribuições e dificuldades
que não podem ser treinadas isoladamente pelo indivíduo. De acordo com essa
perspectiva, o treinamento de habilidades necessárias à interação social
presencial deve ocorrer presencialmente enquanto habilidades necessárias à
interação mediada por computador, por sua vez, requerem a mediação de
computadores.
Além de considerar essas questões, este
GT pretende abordar a possível contribuição diferencial, à aprendizagem geral,
da interação social mediada por computador. Como um exemplo da direção dessa
pretensão, pode ser citado o trabalho de Thomas Russell e seu website
www.nosignifficantdifference.org, no qual são revisados centenas de
estudos, e indicada conclusão de que o aprendizado a distância ocorre tão bem
quanto o presencial. No entanto, caberia aprofundar se a ausência de diferenças
ocorreria para a aquisição de todas as competências ou, se para algumas delas -
e quais - haveria vantagem para um dos dois métodos. Nota-se também que grande
parte dos estudos revisados tentaram padronizar as demais condições para
controlar seus experimentos, o que os afasta da prática real, na qual o método
a distância é aplicado justamente por permitir o ensino em condições diferentes
das que ocorrem normalmente no ensino presencial.
c) Estratégias didático-docentes
Os objetivos de uma dada formação
influenciam numerosas escolhas na estrutura de um curso, quer sejam
presenciais, quer a distância. Nestes últimos, certas experiências de
aprendizagem vinculadas diretamente à prática profissional podem sofrer impacto
significativo.
Ao se considerar o uso de EaD em uma
formação, é necessário que sejam determinados que recursos, tecnológicos e de
ensino-aprendizagem, serão utilizados. Uma determinada disciplina, com seus
objetivos de formação, poderá demandar interações entre alunos, enquanto outra,
realizada adequadamente em regime de estudo independente.
Considerando-se as demandas que tecnologias como o som e o vídeo trazem, tanto
ao desenvolvimento do curso quanto ao seu uso pelos participantes, com quais
critérios se realiza sua escolha?
-
Em quais atividades de formação e/ou disciplinas;
Vinculado ao tópico anterior, quaisquer
que sejam os recursos disponíveis, é relevante selecionar em quais atividades
serão empregadas que estratégias. Poderão ser identificados, por exemplo,
grupos de atividades para os quais certos recursos/estratégias sejam mais
recomendáveis (ou mesmo necessárias), com vistas à qualidade da formação?
Como exemplo de hipóteses que poderíamos
desenvolver, provavelmente seria mais adequado o emprego de ferramentas de EaD
em disciplinas de Estatística e Neuroanatomia do que em disciplinas de Dinâmica
de Grupo.
-
Para o desenvolvimento de quais habilidades/competências e para qual perfil de
psicólogo;
Diretamente relacionado ao item
anterior, este GT entende que cabe considerar para quais tipos de exercício
profissional poderiam ser formados (parcialmente?) a distância os profissionais
de Psicologia. Como um exemplo, a discussão sobre o impacto de emprego da EaD
em diferentes formações, como a clínica e a científica: haverá habilitações
mais adequadas à EaD, enquanto outras necessitam do contato presencial para a
efetiva formação do profissional? Será que num futuro próximo, o atendimento
clínico mediado por computador poderá ser regulamentado? Em que outras áreas o
trabalho cotidiano do psicólogo está já incorporando o uso de computador? Em
ênfases ligadas a certas formas de integração multidisciplinar com profissões
que usam o computador com mais freqüência do que a maioria dos psicólogos,
ferramentas de EaD não seriam especialmente úteis?
-
Que recursos freqüentemente utilizados em EAD podem favorecer as práticas de
ensino puramente presenciais?
Como um exemplo deste item, no Instituto
de Psicologia da UFRJ, em curso 100% presencial, há 2 anos é utilizado um
portal online com dezenas de salas destinadas à comunicação e cooperação entre
a comunidade acadêmica. Isso se faz através da divulgação de eventos,
disseminação de informações administrativas, oportunidades de estágios, bolsas
de monitoria, eventos culturais, e discussões para resolução de problemas. Há
também salas para a comunicação entre turmas cursando disciplinas, grupos de
estudos permanentes, salas para setores administrativos, salas de turmas por
períodos, e salas para fins sociais, como um clube de xadrez. No portal da UFRJ
há no momento quase 1.400 pessoas, entre alunos, professores, funcionários.
Este foi apenas um exemplo, pois como já
citamos, correspondência eletrônica entre alunos ou entre alunos e professor,
blogs, produção e divulgação de material produzido pelo professor no
computador, portais de inserção e consulta a notas e faltas são práticas que já
começam a se disseminar.
-
Em qual medida utilizar EaD;
Outra das dimensões do emprego de EaD
refere-se à medida de seu uso em uma certa formação. Isso poderá assumir
diferentes graus, em momentos distintos desse processo; poderá também assumir
diferentes medidas em atividades específicas, contemplando suas
particularidades.
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Graduação (formação inicial) X educação continuada e pós-graduação stricto
sensu;
O VI CNP (na alínea h da tese 62) já se
pronunciou desfavorável ao uso da EaD na formação inicial (graduação). O fato é
que a EaD vem sendo francamente usada na formação inicial de professores e em
cursos de pós-graduação lato sensu em Psicologia, Pedagogia e outros.
Essa discussão é correlata à proposta pelo Deputado Abicalil em seu parecer.
-
Infra-estrutura e treinamento
Caso se opte por utilizar ferramentas de
EaD, quaisquer que sejam as escolhidas para determinado contexto, é essencial
que haja infra-estrutura adequada e treinamento para seu uso.
Parece residir em omissões em
infra-estutura e treinamento (bem como na atitude de não dialogar com
antecedência com os alunos sobre o projeto de implantação do sistema), parte
substancial dos problemas que ganharam atenção pública com o relatado
recentemente publicado por alunos de uma universidade privada paulistana em
carta ao UOL Educação em 28/08/2007.
Legislação
-
Panorama geral
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Limites legais
-
A legislação garante a qualidade dos cursos? É adequada? É suficiente?
Em relação à legislação, este GT se
propõe a realizar uma resenha da legislação sobre EaD em vigor no Brasil, da
tramitação de PLs a esse respeito, de leis revogadas e de reivindicações de
entidades para políticas públicas em EaD. Nosso objetivo é o de relacionar as
recomendações gerais às quais chegarmos com o atual estado das
possibilidades/determinações legais, avaliando de que maneira as leis em vigor,
e as propostas de leis ainda não aprovadas, tornam mais ou menos exeqüíveis as
recomendações técnicas e pedagógicas a que este grupo chegar, bem como
eventualmente chegar a sugestões de propostas sobre regulamentação da EaD a
serem apresentadas à sociedade.
O objetivo deste GT é estudar algumas
práticas de EaD em Psicologia que, consideradas recomendáveis, aceitáveis ou
inapropriadas, o sejam independentemente do atual estado atual da legislação. O
GT se propõe a um estudo que transcenda a um pragmatismo imediatista das
"condições atualmente possíveis", considerando diretrizes de médio e longo
prazos; isso inclui a perspectiva de que a legislação sofre alterações no
tempo, e que esta discussão possa, eventualmente, contribuir com suas
alterações.
Idealmente, o GT fará também
levantamento da legislação sobre EaD em outros países.
O GT deverá indicar os aspectos nos
quais considera a legislação em vigor suficiente, insuficiente ou
contraproducente para garantir o controle de qualidade dos cursos,
eventualmente sugerindo novos dispositivos legais (ou a exclusão/modificação de
dispositivos existentes) que poderiam ser propostos às demais entidades
acadêmicas e profissionais e ao congresso nacional, no sentido de aprimorar a
regulamentação.
Serão objeto de análise ao menos as
seguintes peças (e documentos do governo e de entidades da sociedade cível em
relação a eles):
-
Decreto 1.237/1994
-
LDB
-
Resolução CNE/CES nº 01/2001
-
Decreto 5.519/2004
-
Portaria do MEC 4.059/2004
-
Portaria do MEC 4.361/2004
-
Decreto 5.622/2005
-
Decreto 5.773/2006
-
Decreto 5.800/2006 (Universidade Aberta do Brasil)
-
Portaria Normativa Ministerial 02/2007
-
Referenciais de Qualidade versão de 2003 e versão preliminar de 2007
-
PL 7.515/2006
-
PL 7.200/2006 (arts 5º e 11)
Plano de Ação
Objetivo
A missão a que se propõe este GT, caso a
Assembléia da ABEP opte por sua continuidade, é a de um levantamento dos pontos
indicados anteriormente neste texto, oferecendo informações e argumentos e
propondo à ABEP recomendações de posicionamento, de forma fundamentada e
crítica, sobre se e de qual maneira a EaD deveria ser usada no ensino de
Psicologia.
Necessidades
Dois grupos de necessidades são
percebidos para este trabalho:
-
Ampliação do corpo de membros ativos:
incorporação de novos participantes ativos, que possam se responsabilizar pela
pesquisa e produção de textos para a discussão.
-
Recursos financeiros para pesquisas, visitas, participação em eventos e
eventual remuneração: tanto para as pesquisas que se fizerem necessárias,
como para a participação dos membros do GT em eventos da área (ou realização
destes), serão necessários recursos financeiros.
Seu montante será definido após aprovação/modificação deste texto preliminar e
de suas intenções futuras, quando será desenvolvido um plano executivo do
trabalho.
Considera-se a possibilidade de remuneração dos membros do grupo como forma de
evitar que contingências da vida profissional de seus voluntários inviabilizem
o trabalho deste GT. Este último item dependerá diretamente da adesão (e da sua
qualidade) de novos membros ativos, de forma a descentralizar demandas.
Fontes de dados
As informações necessárias para a
execução dos trabalhos serão buscadas através de fontes diversas, a partir de
dados de primeira mão, bem como através de fontes indiretas.
Pretende-se utilizar:
-
documentos oficiais;
-
posicionamento de entidades científicas/profissionais/sindicais;
-
revisão bibliográfica de pesquisas;
-
visitas técnicas;
-
entrevistas com especialistas;
-
pesquisas diretas com psicólogos, com professores e alunos para levantarmos
percepções sobre o tema;
-
pesquisas diretas com coordenadores de curso sobre práticas correntes;
-
participação em - e eventual organização de - eventos, mesas, etc..
Estrutura do trabalho
Baseando-se na estrutura do documento
ora apresentado, o estudo será dividido em frentes de trabalho, gerido e
executado por sub-grupos, cada qual com um membro responsável por gerar o texto
final do tópico, a ser incorporado pelo coordenador do GT ao texto final,
ouvido o coletivo do grupo. Os membros não estarão, necessariamente, em somente
um sub-grupo. São entendidos como temas desse documento:
-
Revisão teórica e de pesquisas sobre EaD;
-
Legislação nacional/internacional;
-
Experiências nacionais/internacionais de referência em EaD;
-
Estado do uso de ferramentas de EaD em cursos de Psicologia no Brasil e
percepções de seus atores;
-
Pesquisa de posicionamentos de entidades, etc.
Prazo
Se aprovado, as atividades do GT serão
iniciadas em Outubro/2007, com seis semanas iniciais de planejamento e de
elaboração de um plano executivo para o trabalho.
Participação no GT
Os membros ativos do GT manifestam
interesse em continuar a desenvolver este trabalho. É necessária a incorporação
de novos membros, e/ou a participação mais intensa, nessa próxima etapa, de
membros menos ativos. São bem-vindas indicações de assembléias da ABEP, de sua
diretoria e/ou de seus núcleos regionais, bem como a auto-indicação de pessoas
interessadas em contribuir nos estudos. Ficou deliberado na Assembléia de
8/9/2007 que o nome de qualquer pessoa interessada em fazer parte do GT, ou que
seja indicada por núcleo da ABEP para integrá-lo, deverá ser encaminhado para a
diretoria da ABEP, a quem caberá selecionar as pessoas e determinar a
composição do GT. Foi também sugerido na Assembléia que o GT possa incorporar
representante de entidades sindicais da categoria dos professores.
Ficou deliberado na assembléia que os
trabalhos devem acontecer da maneira mais transparente possível, com a
publicação de boletins e resultados parciais consolidados dos trabalhos,
ressalvando-se no entanto o cuidado para que não se publique versões
provisórias que possam ser confundidas com versões finais de documentos.
Foi reiterado que a colaboração de todas
as pessoas interessadas é bem-vinda, de tal forma que qualquer pessoa se sinta
encorajada a enviar suas contribuições e comentários para o GT, o que deverá
ser feito pelo e-mail abep@abepsi.org.br
com a expressão "aos cuidados do GT de EaD da ABEP".
Parecer final
Uma vez gerado o relatório de trabalho,
sugere-se que este fique sob consulta pública no site da ABEP, podendo receber
contribuições/emendas. Após esta fase, será preparada uma segunda versão para
apresentação à diretoria da ABEP, e sugerimos que sua versão final seja
submetida à apreciação da Assembléia Geral da entidade antes de que venha a se
constituir em eventual posicionamento oficial da entidade.
Ficou aprovado na Assembléia da ABEP de
8/9/2007 que o GT deverá apresentar plano executivo de trabalho, tal plano
deverá ser aprovado pela diretoria da ABEP, então o GT deverá apresentar
relatório para consulta pública, receber propostas de emendas, e então
apresentar nova versão do documento a ser apreciado pela Assembléia da ABEP ou
por plenária de núcleos da ABEP, o que ocorrer primeiro.
Referências
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Carlos Abicalil (2006). Relatório. Projeto de Lei 7515/2006 do Poder
Executivo. Comissão de Educação e Cultura. Brasília: Câmara dos Deputados,
13/12/2006.
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Docentes das Instituições de Ensino Superior (2006). Os rumos desastrosos da
Reforma Universitária proposta pelo governo. Outubro/2006.
http://www.andes.org.br/imprensa/Uploads/nota_andes.pdf , acessado em
19/07/2007, 8:04hs.
INEP - Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (s/d). Evolução da Educação Superior -
Graduação (1980-1998),
http://www.inep.gov.br/superior/censosuperior/evolucao/evolucao.htm.
INEP - Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (s/d). Sinopses Estatísticas da
Educação Superior - Graduação - 2005.
http://www.inep.gov.br/download/superior/2005/Sinopse_2005a.zip
Nunomura, E (2007). Cortes e mais aulas
a distância - para alunos, recurso complementar está sendo usado para reduzir
custos. O Estado de São Paulo, 27/08/2007.
Petta, M C L (2007). A luta contra a
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http://www.contee.org.br/desnacionalizacao/m14.htm.
Peixoto, M G (2007). "O Ministro da
Educação ainda precisa de dados?",
http://www.anpg.org.br/veja_2007/ministro_educ.htm
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significant diference phenomenon. IDEC, 5a edição.
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SINPRO-MG - Sindicato dos Professores de
Minas Gerais (2007). Encontro amplia o debate sobre a educação a distância na
rede privada.
http://www.sinpromg.org.br/4encontro.html , acessado em 19/08/2007
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Uol Educação (2007). Alunos da Unicsul
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Zajonc, RB (1965) Social facilitation.
Science, 149: 269-274
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