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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO
EM PSICOLOGIA.
A presença qualificada no SUS como um desafio para a Psicologia:
Propostas da Oficina Nacional da ABEP.
Ministério da Saúde/Ministério da Educação/Organização Panamericana
de Saúde: Brasília, 2006.
Oficina Nacional da ABEP. São Paulo, 27 e 28 de julho
de 2006.
1. Formação em Psicologia;
2. Sistema Único de Saúde;
3. Diretrizes Curriculares Nacionais;
4. Integralidade da Saúde;
5. Participação Social.
Associação Brasileira de Ensino de Psicologia
SRTVN Q. 702 - Ed. Brasília Rádio Center, 4º andar - Conj. 4038-A
CEP: 70719-900 -Brasília - DF - Brasil
Tel: (61) 3328-4433 / Fax: (61) 3328 3163
e-mail: abep@abepsi.org.br
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| A presença
qualificada no SUS como um desafio para a Psicologia: Propostas da Oficina
Nacional da ABEP |
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Comissão Gestora da ABEP (2005-2007)
Marcos Ferreira (Presidente)
Francisco José Machado Viana (Vice-Presidente)
Julieta Quayle (Secretária)
Luis Carlos de Araújo Lima (Tesoureiro)
Eliana Vianna (Suplente)
Diretoria Ampliada
Adriana Eiko Matsumoto
Celso Tondin
Danielly Tatsumatsu
Dreyf de Assis Gonçalves
Gladis Tibourski Lazzarotto
Ana Cristina Costa Lima
Glória Elisa Bearzotti Pires Von Buettner
Káthia Nemeth Perez
Maria das Graças Victor Silva
Mônica Lima Molije
Vânia Carneiro Franco
Junia Lara
Roberta Azzi
GT para a elaboração do Relatório Final
Cristine Cabral (Núcleo ABEP - Santa Catarina)
Daniely Tatmatsu (Núcleo ABEP - Ceará)
Janisse Carvalho (Núcleo ABEP - Macapá)
Josélia Queiroz Lima (Núcleo ABEP - Paraná)
Liliana Santos (Núcleo ABEP Distrito Federal)
Mônica Lima (ABEP - Nacional)
Roberta Medeiros (Núcleo ABEP - Campinas)
Tatiana Saldanha (Núcleo ABEP - Boa Vista)
Wallace Xavier (Núcleo ABEP - Minas Gerais)
Revisor de Texto
Afonso Henriques Novaes Menezes
Diagramação e Impressão
Tácito Matias
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O que antes parecia
não mais que um problema alheio
foi se fazendo desejo
de menos sangue no dia,
um tanto mais de alegria.
Compromisso cidadão
com humanas necessidades,
direito de ser inteiro
corpo são, sábios sentimentos.
Inteiros se dando ao projeto
de um jeito brasileiro
de limpar a mão da história
com gestos sujos de empenho.
Como quem espalha vento,
uns tantos desbravadores
sopraram provocação,
construíram estandartes,
pavimentaram trajetos.
Acordou a Psicologia.
Hoje já é um levante,
por saúde todos os dias.
Há um sonho bailando no vento,
que é de branco tormento,
suave desafio.
Para cada um ter o sono
que pensamos merecer,
só se tivermos todos,
o mesmo humano direito,
de acolhimento sincero,
competente e generoso,
do viver e do adoecer.
Ana Lucia
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| "(Des)construindo
a integralidade" |
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Na Oficina Nacional da ABEP foi apresentado o vídeo
"(DES)CONSTRUINDO A INTEGRALIDADE". Este vídeo é um registro da peça teatral
proposta e apresentada pelo Núcleo ABEP do Piauí, na sua Oficina.
Esta peça retrata de uma forma simbólica e bem-humorada
das agruras de um usuário do nosso Sistema Único da Saúde (SUS) diante da tão
comentada integralidade. Apesar do simbolismo e bom-humor, a apresentação não
perde seu tom de denúncia crítica e conscientizadora. Trata-se de uma bela
crítica das práticas cotidianas de vários profissionais de saúde no SUS.
Gostaríamos de agradecer aos atores do grupo BERRO, do
Laboratório de Artes Cênicas da Universidade Federal do Piauí, que topou fazer
da apreciação estética do seu espetáculo um veículo de reflexão.
Cleiber Silveira ..... [Criação, direção
e "Fisioterapeuta"]
Anderson Gabriel ..... ["Médico" e Story Boarder]
Ive Carvalho ..... ["Assistente Social" e Produção]
José Elielton ..... ["Usuário-Palhaço"]
Jarleni Silva ..... ["Psicóloga"]
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| A presença
qualificada no SUS como um desafio para a Psicologia: uma pauta
permanente para a ABEP! |
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Este documento consiste no resultado de um conjunto de
debates que culminou com a realização da Oficina Nacional da ABEP: Psicologia e
Saúde Pública/Coletiva. Durante o primeiro semestre de 2006, cerca de sete mil
pessoas atenderam ao convite desta associação para debater a formação de
psicólogos de forma geral e, em especial, a formação de psicólogos para as
políticas públicas de saúde. Este público era formado por pessoas que
participaram de alguma das 38 oficinas realizadas em cidades de diferentes
regiões do Brasil, desde Macapá até Porto Alegre e desde Natal até Cuiabá.
Em cada oficina regional aconteceram debates sobre
assuntos relacionados à interface entre Psicologia e Saúde Pública/Coletiva.
Nesses debates, grupos de trabalho elaboraram propostas que incluíram
indicações sobre dimensões gerais da formação de psicólogos; indicativos sobre
a atuação da ABEP junto aos movimentos sociais relacionados à saúde e propostas
concretas de aproximação da formação dos psicólogos em relação ao SUS e à Saúde
Pública/Coletiva.
Na Oficina Nacional, reuniram-se representantes de cada
uma das oficinas regionais e alguns convidados de estados onde elas não puderam
ser realizadas. As propostas de todas as oficinas foram sistematizadas e
debatidas e, a partir disso, foi elaborado um texto com as deliberações da
plenária. Esse texto é apresentado, na íntegra, neste caderno.
As propostas levantadas nas oficinas estão aqui
organizadas em dois eixos: Formação em Psicologia & Integralidade da Saúde
e Formação em Psicologia & Participação Social. Partindo deste
levantamento, pretende-se que as resoluções da Oficina Nacional sejam
apresentadas e debatidas em todas as instituições de Ensino Superior que
mantenham cursos de Psicologia no Brasil.
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| Convênio com os
Ministérios da Saúde e da Educação |
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As oficinas foram decorrentes de um esforço realizado
pelos Ministérios da Saúde e da Educação, a partir do começo do Governo Lula.
Por meio de diferentes tipos de iniciativas, pretendeu-se buscar o incremento
da atenção ao SUS por parte dos cursos de graduação das catorze profissões de
saúde consideradas importantes para o seu funcionamento. A iniciativa de
interferir na formação dos profissionais, é sempre pertinente lembrar, está
respaldada e impulsionada pelo texto da Constituição Federal que define esta
prerrogativa do SUS: a de orientar a formação dos profissionais dos quais a
população necessite.
Considerando as articulações iniciadas pelo Ministério
da Saúde, foi criado o Fórum Nacional de Entidades de Ensino das Profissões da
Área da Saúde, o FNEPAS. O FNEPAS foi se fortalecendo como espaço de controle
social sobre as ações dirigidas à educação das profissões ligadas à saúde, ao
mesmo tempo em que passou a colaborar com o Ministério nas iniciativas de
adequação da formação de profissionais para atuar no SUS.
A idéia original do Ministério da Saúde parece ter sido a de aproveitar o
momento de implantação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais para inserir
aí a atenção ao SUS. Entretanto, o ritmo da implantação das diretrizes foi
diferente da velocidade de estabelecimento dos convênios com as diferentes
associações de ensino. Assim, para a Psicologia, o momento de efetiva
realização das oficinas coincidiu já com o prazo final de apresentação dos
novos projetos político-pedagógicos. Isto não impediu que o debate fosse
realizado, mas reduziu possibilidades de aplicação imediata destes projetos.
Mesmo com esse descompasso, foi possível estabelecer uma
racionalidade sobre a forma de produzir a inserção da atenção ao SUS na
formação dos psicólogos. Tomando uma perspectiva mais geral sobre a formação
destes profissionais, propõe-se que os cursos de Psicologia tenham, no núcleo
comum, a inserção da atenção a políticas públicas. Tal atenção pode contar com
o SUS como alvo de estudo e exercício prático nos estágios básicos. As
habilidades e competências desenvolvidas nessa etapa da formação serão de
grande importância, tanto para os cursos que estabeleçam uma ênfase em saúde
pública quanto para todas as demais ênfases possíveis.
Ainda que a Psicologia seja uma profissão que ultrapassa
os limites do setor saúde, a ABEP reconheceu que esta é uma área de grande
importância, tanto para a ciência psicológica quanto para os profissionais da
Psicologia. Um dado impressiona no que toca à profissão: há cerca de vinte mil
psicólogos atuando na saúde pública no Brasil, isto é, mais de quinze por cento
de todos os psicólogos atuam na área da saúde.
Assim, esta iniciativa tomou forma através da assinatura
de um convênio entre a ABEP e os Ministérios da Saúde e da Educação, com a
parceria da Organização Pan-americana de Saúde. Toda a negociação e assinatura
do convênio foram realizadas ainda na gestão da diretoria anterior da ABEP. Os
recursos alocados foram da ordem de seiscentos mil reais, dos quais
quatrocentos e sessenta destinados às oficinas, e cerca de cem mil destinados a
uma pesquisa sobre a atuação dos psicólogos no SUS. Esses recursos foram
suficientes para disseminar o debate sobre a interface entre Psicologia e Saúde
Pública/Coletiva por todo o país, uma vez que todos os psicólogos e
palestrantes de outras profissões que colaboraram nas oficinas declinaram de
receber honorários.
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| Colaboração com
os Conselhos de Psicologia |
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Além disso, houve a confluência de interesses entre a
ABEP e o Conselho Federal de Psicologia. Os Conselhos de Psicologia haviam
definido 2006 como o ano de atenção ao tema da Saúde Pública. A colaboração
entre estas entidades potencializou bastante os resultados buscados por meio da
aplicação com os recursos obtidos no convênio.
Se no convênio assinado estava prevista a realização de
apenas cinco oficinas regionais, a partir do estabelecimento de um acordo com
os Conselhos de Psicologia, foi possível multiplicar esse número. Com a
realização de oficinas em locais mais próximos dos cursos, foi também possível
ampliar os tipos de audiência e de participantes. Houve intensa participação de
coordenadores de cursos, professores, estudantes, psicólogos, centros
acadêmicos e entidades regionais de Psicologia, assim como houve participação
de Sindicatos e dos próprios Conselhos Regionais, todos fundamentais para o
sucesso alcançado. Isto possibilitou também uma significativa participação de
gestores do SUS na maioria das oficinas.
Além dos benefícios citados, essa colaboração com os
Conselhos de Psicologia oportunizou o reconhecimento da força e importância da
criação do Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas -
CREPOP. Para nós, da ABEP, o fortalecimento de experiências como estas coloca
no horizonte a possibilidade de um trabalho consistente de produção de novas
realidades para a profissão dos psicólogos e para a sociedade brasileira.
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| Temas e
objetivos das oficinas |
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A Oficina Nacional da ABEP teve como objetivo "organizar
o debate acerca das necessidades de transformações no processo de formação dos
psicólogos, de modo a adequá-los às necessidades de saúde da população e ao
desempenho profissional no interior do SUS, construindo coletivamente as
diretrizes que devem ser assumidas neste processo".
É oportuno lembrar que o SUS, implantado em 1990 e já
garantido na Constituição Federal desde 1988, é fruto do Movimento da Reforma
Sanitária Brasileira. Este movimento é considerado "um projeto civilizatório,
ou seja, pretende produzir mudanças dos valores prevalentes na sociedade
brasileira, tendo a saúde como eixo de transformação e a solidariedade como
valor estruturante. Da mesma forma, o projeto SUS é uma política de construção
democrática que visa à ampliação da esfera pública, à inclusão social e à
redução das desigualdades", como reafirma, após seus mais de 30 anos, o Fórum
da Reforma Sanitária Brasileira, em recente manifesto.
O tema definido para os debates, tendo em vista alcançar
esse objetivo, foi: "uma presença qualificada no SUS como um desafio para a
Psicologia". Esse tema foi desdobrado em cinco temáticas para as quais foram
dirigidas as atividades de informação e debate. As cinco temáticas foram:
a) o desafio de formar recursos humanos qualificados
para o SUS: estado da arte da discussão;
b) aproximações acadêmicas e profissionais da Psicologia
com a área de Saúde;
c) conteúdos pedagógicos da Saúde Pública/Coletiva nos
currículos de psicologia;
d) conteúdos da Psicologia relevantes para o campo da
Saúde Pública/Coletiva;
e) campos de práticas nos serviços do SUS: a questão da
integração docente-assistencial;
f) reestruturações curriculares, ênfases e formação em
Saúde Pública/Coletiva.
É importante re-inserir aqui a ementa que orientou a
organização da proposta básica das oficinas:
Questão estratégica crucial para a adequada oferta de
serviços de saúde à população, a formação de recursos humanos, sobretudo na
graduação, vem sendo apontada como importante fator de estrangulamento no
desenvolvimento do Sistema Único de Saúde. Há mais de uma década vários grupos
da Academia, de profissionais e estudantes aos seus usuários, vêm se dedicando
a problematizar os processos de formação fomentada nos cursos, criticando os
seus conteúdos teóricos, técnicos e ideológicos ministrados, devido ao seu
caráter classista, ao seu distanciamento da realidade social e institucional do
SUS, denunciando, deste modo, a inadequação de suas matrizes curriculares às
necessidades de saúde da população. Concomitante a isso, tais grupos buscam
introduzir novas metodologias de ensino, novas sistemáticas para o treinamento
profissional e a adoção de novos campos de prática, com pedagogias mais ativas
e eficientes.
Tal condição, obviamente, traz um impacto de forma
diferenciada aos variados tipos de profissionais que compõem atualmente a
equipe multiprofissional em saúde. A depender da intensidade da proximidade de
cada grupo profissional do foco específico da prestação de serviços de saúde,
esta questão ganha maior ou menor relevância e incidência nos debates
acadêmicos sobre a formação dos profissionais de saúde.
No caso da Psicologia, que vive um importante momento de
transição na formatação das suas ofertas profissionais à sociedade, esta
questão se torna de grande relevância, à medida que o mercado liberal
tradicional se retrai. A atratividade que vem sendo exercida pela área das
políticas públicas, como espaço gerador de oportunidades de emprego, encontra
na área de saúde um lócus importante de trabalho para os psicólogos.
Inicialmente convocados pelo seu nexo mais evidente com
as atividades do campo de saúde mental (em meados da década de 1980), os
psicólogos passaram a ser reconhecidos como profissionais de saúde e a
desenvolver um rol mais ampliado no campo das ofertas de seu conhecimento e
competência técnica em cenários diversificados de trabalho e para uma parte da
população que estava fora da sua clientela. Os desajustes existentes, e muitas
vezes denunciados, entre as expectativas do sistema de saúde, através dos seus
gestores e dos demais profissionais, acerca das possibilidades da atuação dos
psicólogos e a sua efetiva preparação acadêmica, não tem, entretanto, motivado,
na intensidade necessária, o debate sobre a urgência das transformações no
processo do ensino de graduação.
Em várias situações, a inadequação do desempenho dos
profissionais, e o seu despreparo, ficam em evidência, a despeito da efetiva
construção de conhecimento que as fricções da atuação dos profissionais
inseridos no sistema, com as variadas situações práticas do cotidiano, têm
tornado possível, ainda que não contabilizadas como aquisições importantes pelo
espaço da Academia.
As múltiplas possibilidades da formação do psicólogo
generalista têm feito incluir, ainda que de modo não sistemático, a presença de
algumas disciplinas de "Psicologia e Saúde" em algumas matrizes curriculares,
garantindo, nestes casos, os conteúdos associados à área da "Saúde
Pública/Coletiva" sem que isso signifique, entretanto, que os cursos de
Psicologia estejam exercitando um esforço epistemológico de desenvolver uma
contribuição disciplinar para o campo trans-disciplinar da Saúde.
Do mesmo modo é limitada a presença da pesquisa
psicológica e da extensão que tomam o SUS como referência de espaço de práticas
profissionais e sociais. Tais constatações estabelecem a necessidade de uma
intervenção institucional que, mesmo considerando o estado limitado deste
debate no interior da Psicologia, construa os espaços coletivos nos quais
possam se encontrar os vários atores interessados pelo tema, a fim de
estabelecerem estratégias e diretrizes para a transformação dos processos de
formação para adequá-lo às necessidades sociais de saúde e ao desempenho
profissional no interior do SUS.
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ABEP:
cenário atual |
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O ano de 2006 marcou uma nova etapa na vida da
Associação Brasileira do Ensino de Psicologia (ABEP). Esta publicação consiste
em um dos principais registros dessa nova etapa. Hoje a ABEP é uma entidade
efetivamente nacional, está enraizada em todo o país e conta com mais de cinco
mil sócios. A composição do quadro de associados indica que cerca de 45% dele é
composto por professores e psicólogos, 50% de estudantes e 5% por instituições
de ensino de graduação, especialização e outras entidades de Psicologia
interessadas na formação profissional.
Esses sócios estão organizados em 32 Núcleos Regionais
em todo o país. Há núcleos que têm um estado como base geográfica, há dois
deles que reúnem dois estados e alguns estados têm mais de um núcleo em
funcionamento. Os núcleos reúnem todo tipo de associado e têm a
responsabilidade de realizar as atividades que são decididas nacionalmente, ao
mesmo tempo em que buscam aumentar a capilaridade da organização em torno do
tema da formação.
A ABEP representa o exercício de mais longo prazo e com
maior envolvimento de atores relacionados ao ensino no que toca à organização
da Psicologia brasileira no âmbito da formação. Ela corresponde, nesse âmbito,
ao esforço de organização empreendido pelo Fórum de Entidades Nacionais da
Psicologia Brasileira. Isso não é pouco diante da constatação de que somos
marcados por uma história de fragmentação e desinformação tanto na Psicologia
no país quanto na formação de psicólogos. A título de exemplo deste fato, pela
primeira vez em muitos anos, em 2006 ficamos sabendo exatamente quantos cursos
existem em funcionamento no país. Nesse esforço de organização, estamos
estabelecendo uma fonte de informação que integra diferentes tipos de dados,
tanto sobre os processos de formação quanto sobre as instituições formadoras de
psicólogos.
A ABEP significa ação contínua, organizada e orgânica
sobre a formação em Psicologia, tanto no que toca às inovações a serem
implementadas quanto aos processos de avaliação do ensino superior. Trata-se de
uma iniciativa valorizadora do cotidiano da formação. Como forma de dar
visibilidade e força a este processo formativo, a ABEP está estabelecendo
prêmios e uma base de textos integrais com os trabalhos de conclusão de curso
de graduação. Ainda este ano será lançada também uma base de dados de textos
integrais de monografias de especialização.
Nos encontros da ABEP tem sido aberto espaço para debate
sobre dinâmicas de ensino e está em criação um site com subsídios para o ensino
de Psicologia. Em tudo isso uma perspectiva de construção de uma ação
organizadora, democrática e participativa envolvendo todas as regiões do
Brasil, todos os setores da Psicologia e todos os atores envolvidos com a
formação de Psicólogos.
A maior urgência da ABEP é contribuir para a formação
dos psicólogos de que o povo brasileiro precisa. Psicólogos críticos em relação
à sociedade brasileira (suas mazelas e urgências), em relação à sua própria
formação como psicólogos e em relação à própria Psicologia no Brasil, na
América Latina e no mundo.
Como meio para atender a essa urgência, pretende-se
criar e manter a produção de um padrão unitário de qualidade na formação de
psicólogos. Não importam a região do país, a personalidade jurídica da
instituição onde o aluno estudou, a abordagem ou visão da Psicologia que esta
instituição tenha adotado, o psicólogo precisa estar em condições de atender às
demandas do povo brasileiro.
Seguindo esta perspectiva é que a proposta de que o
primeiro conjunto de oficinas da ABEP fosse relacionado ao SUS ganhou
relevância. O SUS consiste em uma experiência única no mundo, em termos de
racionalidade, abrangência e magnitude. Para nós, ele significou uma
oportunidade para trazer a realidade brasileira para dentro dos cursos de
Psicologia. Além disso, seu funcionamento precisa da contribuição de todos os
tipos de pesquisa e intervenção que a Psicologia já produziu como ciência e
como profissão.
Além de tudo, o SUS consubstancia uma visão de
sociedade. Seus princípios e organização refletem uma perspectiva de
desenvolvimento social de alto nível e um compromisso com a melhoria da vida de
toda a população brasileira. Assim, seu fortalecimento, tanto por meio do
debate político no seio da sociedade brasileira quanto por meio de uma
contribuição sólida da Psicologia, é de interesse e responsabilidade de quantos
cidadãos tomem como referência as necessidades da maioria da população
brasileira para organizar sua inserção no processo de cidadania.
Nesse sentido fica a tarefa de defender o SUS,
criticá-lo em busca de seu aprimoramento e debatê-lo com a sociedade brasileira
para, assim, construirmos um Sistema Único de Saúde de que a sociedade
efetivamente precise.
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Mudanças na
Graduação:
A Psicologia no SUS |
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Superando a desarticulação entre a política de educação
e de saúde que caracterizou a década de 1990, no Governo Lula estabeleceu-se
uma política de educação na saúde para a formação de profissionais desta área
com perfil adequado para atender às necessidades de saúde da população
brasileira, de acordo com os princípios e diretrizes do SUS.
Foi estabelecida a cooperação técnica entre os
Ministérios da Educação e da Saúde para a formação e desenvolvimento dos
trabalhadores da saúde, desde o nível técnico até a pós-graduação (Portaria
Interministerial MEC/MS nº 2.118/2005). O salto de qualidade da política de
educação na saúde foi tornado realidade graças à criação, na estrutura
regimental do Ministério da Saúde, em 2003, da Secretaria de Gestão do Trabalho
e da Educação na Saúde (SGTES).
De acordo com a Resolução nº 287/1998, a Psicologia está
entre as 14 profissões que integram a área da saúde. Por sua vez, reporta-se à
saúde como o marco inicial da concepção da Psicologia como ciência. Não
obstante, compreende-se que o campo de atuação dos psicólogos é bem mais amplo,
permeando a educação, o trabalho, a administração, entre outros.
As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) dos cursos
de graduação da saúde, orientadas pelo Parecer nº 1.133 da Câmara de Educação
Superior - CES, do Conselho Nacional de Educação - CNE reforçam a necessidade
de articulação entre educação superior e saúde.
Elas apontam para a necessidade da incorporação do
arcabouço teórico do SUS nos projetos pedagógicos dos cursos de graduação. As
diretrizes curriculares valorizam ainda os postulados éticos, a cidadania, a
epidemiologia e o processo saúde/doença/cuidado, no sentido de garantir
formação contemporânea de acordo com referenciais nacionais e internacionais de
qualidade. A orientação para a inserção precoce e progressiva do estudante no
SUS leva-o ao conhecimento e ao compromisso com a realidade de saúde do seu
país e da sua região.
O projeto de cooperação técnica entre a SGTES, a OPAS e
as Associações de Ensino na Área da Saúde e a Rede Unida tem por objetivo
potencializar as mudanças propostas pelo Programa de Reorientação da Formação
Profissional em Saúde - Pró-Saúde, somando-se também ao trabalho com os
docentes avaliadores da Educação Superior na Saúde e com o curso de
especialização em Ativação de Processos de Mudança na Formação Superior de
Profissionais de Saúde.
Estas e outras ações somadas institucionalizam e
consolidam a proposta da mudança nos currículos dos cursos de graduação na área
da saúde, com vistas à implementação nas DCNs, e da aproximação entre a
formação e o sistema de saúde, no intuito de melhorar a qualidade da atenção e
sintonizá-la com as necessidades da população.
Segundo dados publicados na "Trajetória dos Cursos de
Graduação na Saúde: 1991-2004", iniciativa conjunta do INEP/MEC e SGTES/MS, a
Psicologia representa hoje o 4º maior curso da área da saúde, no que se refere
ao número de matrículas, sendo responsável pelo ingresso de aproximadamente 16
mil novos profissionais ao ano no mercado de trabalho.
A Política Nacional de Saúde Mental no SUS tem
introduzido no cenário da atenção à saúde mental novas concepções e práticas,
que se situam no contexto da reorientação do modelo assistencial, buscando um
novo profissional, formado a partir de uma abordagem multi-profissional. A
mudança na formação deve priorizar a formação em serviço, compartilhada com
todos os profissionais do campo e com novas exigências que ultrapassam o papel
tradicional do psicólogo.
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Ana Estela
Haddad
Diretora do Departamento de Gestão da Educação na Saúde
(Deges/MS) |
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Nesse sentido, o resultado do trabalho desenvolvido pela
Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP) junto com o Conselho
Federal de Psicologia, coordenando as oficinas de trabalho para a implementação
das DCNs nos cursos de graduação da Psicologia, por todo o Brasil, é um
relevante subsídio para a reflexão e construção do processo de mudança nos
cursos de graduação da área da saúde.
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FNEPAS:
cenas e cenários contemporâneos para a mudança na formação dos profissionais de
saúde. |
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O que é o FNEPAS?
O FNEPAS articula entidades envolvidas com a formação e
desenvolvimento dos profissionais da área da saúde e tem como objetivo
contribuir para a mudança na formação das profissões dessa área, tendo a
integralidade em saúde e a educação permanente como os eixos orientadores.
Criado em julho de 2004, atualmente conta com a
participação da Associação Brasileira de Educação Médica - ABEM, Associação
Brasileira de Enfermagem - ABEn, Associação Brasileira de Ensino Odontológico -
ABENO, Associação Brasileira de Ensino de Fisioterapia - ABENFISIO, Associação
Brasileira de Ensino de Psicologia - ABEP, Associação Brasileira de Ensino e
Pesquisa em Serviço Social - ABEPSS, Rede UNIDA, Sociedade Brasileira de
Fonoaudiologia (SBFa), Rede Nacional de Ensino de Terapia Ocupacional - RENETO,
Associação Brasileira de Hospitais Universitários e de Ensino - ABRAHUE e
Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva - ABRASCO.
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| Um ator
diferente em cena |
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O FNEPAS tem se configurado como um ator social
importante no cenário da educação em saúde no Brasil.
Pela primeira vez as diferentes profissões da saúde unem
esforços para construir cenários políticos e institucionais mais favoráveis às
mudanças na formação e na ação multiprofissional em saúde, a partir do trabalho
integrado.
Sua constituição singular favorece a reflexão e o
intercâmbio sobre as diferentes experiências no movimento de implantação das
diretrizes curriculares nacionais para os cursos de graduação em saúde.
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| Que cenário é
esse? |
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A construção do Sistema único de Saúde, a partir de sua
instituição pela Constituição de 1988, e das Diretrizes Curriculares Nacionais
para os cursos de graduação, publicadas a partir de 2001, indicam a necessidade
de mudanças na formação em saúde.
A partir de 2003, começou-se, pela primeira vez, a
formular uma política de educação para o SUS, que envolve diferentes aspectos:
a educação permanente como estratégia de gestão para potencializar a
transformação das práticas de saúde, a ampla articulação entre o setor saúde e
o setor educação para aproximar valores e proposições na formação dos
profissionais, na prestação de serviços e na produção de conhecimento, entre
outros elementos.
O AprenderSUS compreendia várias estratégias da Política
de Educação para o SUS para apoiar mudanças nas graduações da área de saúde e
foi lançado em Seminário Nacional, em julho de 2004, pelo Ministério da Saúde
em cooperação com o Ministério da Educação.
As diferentes estratégias para impulsionar a mudança na
graduação compreendiam o VERSUS (Vivência-Estágio na Realidade do SUS), a
convocatória de experiências de integralidade na formação em saúde, o Curso de
Especialização em Ativação de Processos de Mudança nas Profissões da Área da
Saúde, a possibilidade de apoio à implementação de estratégias de mudança,
entre outras.
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| É nesse momento
efervescente que nasce o FNEPAS. |
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Como o FNEPAS opera?
Para favorecer as mudanças na formação dos profissionais
de saúde, o FNEPAS procura atuar sobre todas as situações e temas candentes que
possam contribuir para a construção de cenários mais favoráveis às mudanças na
formação.
Foi assim que trabalhamos em 2004, na tentativa de
fortalecer dentro do MEC a perspectiva de construção de uma proposta de
avaliação dos cursos de graduação que fosse capaz de estimular estrategicamente
as mudanças.
Foi assim que participamos da construção da proposta de
critérios para abertura de cursos de graduação na área da saúde aprovada pelo
Conselho Nacional de Saúde, que tivemos ativa atuação na Conferência Nacional
de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde e que estamos participando da
construção da Residência Multiprofissional em Saúde.
Com o objetivo de impulsionar a possibilidade de adoção
da integralidade como eixo orientador da mudança na graduação e de contribuir
ativamente na construção do processo de educação permanente em saúde, o FNEPAS
construiu um projeto de cooperação técnica com o Ministério da Saúde que prevê
a realização de pesquisas, oficinas regionais e produção de publicações.
Apesar de aprovado desde junho de 2005, o projeto só
começou a ser financiado a partir de maio de 2006.
Nesse meio tempo, as Associações também estiveram
dedicadas ao debate da implementação das diretrizes curriculares em cada uma
das profissões, utilizando para tanto a estratégia de oficinas regionais,
pesquisas etc. Esse trabalho está em fase de conclusão e possibilitou produtos
significativos, como o conhecimento da situação atual dos cursos, das
estratégias que vêm sendo implementadas, uma importante mobilização de
professores e estudantes, o aprofundamento do debate etc. Já está no ar o site
do FNEPAS:
http://www.abem-educmed.org.br/fnepas/.
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| Os próximos
passos |
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Estamos atualmente em fase de preparação de nossos
próximos movimentos, mas um de nossos objetivos fundamentais é facilitar a
articulação de todos os atores e movimentos envolvidos na mudança das
profissões da saúde.
Em função de todas as estratégias que foram colocadas em
movimento, atualmente o número de atores envolvidos nesse processo é muito
maior do que em 2004. O avanço na formulação e a diversidade das experiências
vivenciadas por todos são muito expressivos.
A proposta é estabelecer parcerias e formular
estratégias conjuntamente com os tutores e especializandos do curso de ativação
de mudança, movimento estudantil, os gestores municipais de saúde, as
instituições envolvidas com experiências de mudança, tutores e facilitadores de
educação permanente, equipes que atuam no PROMED e no PRÓ-Saúde e as entidades
envolvidas com a formação de profissionais da área da saúde que ainda não
integram o FNEPAS.
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Regina
Lugarinho
Laura Camargo Macruz
Feuerwerker Membros da Secretaria Executiva do FNEPAS |
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Vamos formar uma rede para atuar de forma efetiva,
afetiva e solidária na produção de uma política de educação para o SUS que seja
capaz de promover as tão desejadas mudanças na maneira de fazer saúde!
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O Conselho Federal de Psicologia sente-se honrado com o
convite que nos foi feito pela Associação Brasileira de Ensino de Psicologia
para ocupar um espaço na abertura desta publicação que reúne os resultados da
Oficina Nacional da ABEP na qual se debateu a Formação em Psicologia e a Saúde
Pública/Coletiva.
Os Conselhos Regionais e o Federal de Psicologia
acompanharam a realização destas atividades, em cada região. Estivemos apoiando
a construção de núcleos regionais da ABEP e realizando, com os já existentes,
estas oficinas. Esta parceria se deu não só porque os Conselhos de Psicologia
têm como política, definida em Congresso Nacional, o apoio ao crescimento e ao
desenvolvimento da Associação, mas também porque os Conselhos escolheram o ano
de 2006 como o Ano da Saúde.
A decisão de realizar anos temáticos possibilitou aos
Conselhos uma sintonia maior na realização de suas atividades e esforços para o
desenvolvimento da profissão. A escolha da saúde como um primeiro tema se deu
pela importância, tradição e extensão que esta área tem no seio da profissão.
A Psicologia possui um saber e um fazer que pertencem,
pela contribuição que oferecem, a vários campos de atividades e de serviço. A
saúde é um deles e, hoje, são louváveis os esforços dos Ministérios da Educação
e da Saúde para o desenvolvimento de uma formação qualificada que permita a
inserção de vários profissionais, entre eles os psicólogos, no Sistema Único de
Saúde (SUS), oferecendo à maioria da população um serviço de qualidade e a
possibilidade de atendimento de uma demanda social importante.
A afinidade com estas metas levou os Conselhos de
Psicologia à decisão de que a primeira área para iniciar os anos temáticos
deveria ser a da saúde, incluído aí o debate da saúde pública no Brasil e as
possibilidades de contribuição da Psicologia como ciência e profissão para o
avanço do SUS.
Neste caminho, encontramos a Associação Brasileira de
Ensino de Psicologia e pudemos somar esforços para o trabalho, possibilitando
que o debate dos avanços necessários à profissão fossem acompanhados das
discussões sobre a formação adequada para este projeto. Professores,
pesquisadores e estudantes puderam dialogar com os psicólogos da área da saúde:
um encontro perfeito que permitiu enorme avanço para ambos os segmentos.
A ABEP permitiu ainda a realização de sua atividade na
extensão e amplitude que a própria natureza da entidade estabelece. Para os
Conselhos de Psicologia o encontro foi gratificante, pois colocou o debate da
profissão associado ao da formação. Os resultados, com certeza, possibilitaram
avanços significativos para o projeto de profissão, pois receberam
contribuições daqueles que, nas academias, relacionam os saberes psicológicos
como possibilidades com as demandas sociais como necessidades.
O Conselho Federal de Psicologia, a partir destes
encontros, realizou seu I Fórum Nacional de Psicologia e Saúde Pública, no qual
destaca, dos debates, as deliberações sobre o exercício da profissão na área da
saúde pública.
|
Ana Mercês
Bahia Bock
Presidente do Conselho
Federal de Psicologia |
|
Por fim, consideramos que, apesar de toda
concentração ter se dado nas questões da saúde pública, a grande conquista se
realizou pela definitiva inserção das políticas públicas como tema importante
no campo da Psicologia e nós, do Conselho Federal de Psicologia, temos orgulho
desta conquista realizada em parceria com a ABEP.
|
| Conhecer a
história para orientar o futuro: o significado da avaliação na perspectiva do
INEP. |
|
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e a Diretoria de Estatísticas
e Avaliação da Educação Superior, responsáveis diretos pelas avaliações
das instituições de educação superior e de seus cursos de graduação,
vêm desenvolvendo nos últimos meses um intenso trabalho de cooperação
com o Ministério da Saúde e, mais diretamente, com a sua Secretaria
de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.
Esta cooperação tem se materializado em várias frentes:
a) na unificação dos esforços no sentido de produzir
instrumentos de avaliação que atendam às necessidades dos profissionais das
diversas carreiras da saúde;
b) na capacitação de avaliadores que conheçam não só os
instrumentos de avaliação da educação superior, mas a complexa relação da
formação acadêmica com o exercício profissional;
c) na disseminação das informações coletadas pelo
Ministério da Educação e existentes nos diversos bancos de dados do Inep (Censo
da Educação Superior, Cadastro de Instituições e Cursos, Exame Nacional de
Desempenho Estudantil - Enade, perfil sócio-econômico dos estudantes,
relatórios de avaliação de instituições e cursos, etc.), entre outros esforços.
O produto que talvez melhor emblematize este esforço
conjunto é, sem-dúvida, a coletânea Trajetória dos Cursos de Graduação na Saúde
- 1991 a 2004, recentemente publicada pelos Ministérios da Educação e da Saúde,
através do Inep.
Esta publicação se trata de uma iniciativa que envolveu
uma centena de profissionais e acadêmicos das quatorze áreas da saúde
(Biomedicina, Ciências Biológicas, Educação Física, Enfermagem, Farmácia,
Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição,
Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Orientação e Terapia Ocupacional) e
que fez uma radiografia sobre o que aconteceu nos últimos quatorze anos em cada
uma delas, identificando as suas principais características e destacando as
grandes tendências para os próximos anos.
O pioneirismo deste estudo já gerou outros trabalhos de
cooperação, como, por exemplo, a publicação, pelo Inep, do livro O Ensino de
Graduação em Enfermagem no Brasil: o ontem, o hoje e o amanhã, além de
importante projeto em realização para as áreas de Enfermagem, Odontologia e
Medicina, que buscará analisar a aderência dos projetos pedagógicos dos cursos
às diretrizes curriculares nacionais.
Outras propostas semelhantes, espelhando-se na
bem-sucedida parceria entre os dois Ministérios, têm sido apresentadas ao Inep
por acadêmicos e representantes de entidades profissionais de diferentes áreas
do conhecimento.
O Inep entende que estas propostas são fundamentais para
uma compreensão mais aprofundada da educação superior. Entende igualmente que
elas expressam um desejo da comunidade acadêmica de que o acesso aos dados
disponíveis seja efetivamente democratizado para que os mesmos sejam utilizados
por coordenadores de curso, professores, gestores e administradores como
subsídio para a definição de políticas educacionais coerentes e comprometidas
com a qualidade e com a inclusão social.
|
Dilvo Ristoff
Diretor de Avaliação e Estatísticas da Educação Superior do Inep/MEC |
|
Deste modo, o Inep convida a todas as associações
acadêmicas e entidades representativas das classes profissionais, bem como a
comunidade acadêmica nacional, a se juntarem a esse esforço dos dois
Ministérios pela democratização e pela transparência, apresentando propostas,
críticas e sugestões.

|
Propostas da
Oficina Nacional da Associação Brasileira de Ensino em Psicologia: Psicologia e
Saúde Pública/Coletiva
1. Art. 4º. O conjunto
de ações e serviços
de saúde, prestados
por órgãos e
instituições públicas
federais, estaduais
e municipais, da
administração
direta e indireta
e das fundações
mantidas pelo
Poder Público,
constitui o Sistema
Único de Saúde - SUS.
[MS/Lei 8080/90- www.conselho.saude.gov.br
Pública/Coletiva
|
|
Neste tópico, apresenta-se o resultado final da Oficina
Nacional da ABEP. Todo o esforço coletivo, aqui retratado em forma de
propostas, teve como tema motivador: "uma presença qualificada no Sistema Único
de Saúde1 como um desafio para a Psicologia". Cabe ressaltar que, das 38
oficinas regionais que a precederam, 106 propostas foram elaboradas, fruto de
uma primeira sistematização disponibilizada previamente na íntegra para os
respectivos representantes. Estas oficinas foram reapresentadas em um
texto-síntese a fim de operacionalizar os trabalhos na Oficina Nacional.

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No primeiro momento, formaram-se três grupos que
discutiram e sugeriram modificações, acréscimos e supressões no texto-síntese.
No segundo momento, em plenária, cada um dos grupos
expôs suas contribuições e estas foram apreciadas coletivamente. Estas
propostas estão aqui categorizadas em dois eixos:
- Formação em Psicologia & Integralidade da Saúde;
- Formação em Psicologia & Participação Social.
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| 2. Resolução
CNE/CES Nº 8, de 7 de maio de 2004 (Institui Diretrizes Curriculares Nacionais
do curso de graduação em Psicologia)
www.mec.gov.br/cne |
|
Estas propostas defendem o caráter generalista da
formação alicerçada na diversidade de práticas e orientações
teórico-metodológicas que circulam no campo da Psicologia. Elas se fundamentam
também nas Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em
Psicologia2, as quais devem considerar os processos de subjetivação e a
historicidade como condição essencial para a construção de uma sociedade
democrática.
Os princípios que constam nas Diretrizes Curriculares
requerem a mudança de paradigma na formação do psicólogo e deverão ser
garantidos no projeto político-pedagógico dos cursos. A reflexão sobre o
caráter generalista da formação em Psicologia vem acompanhada da urgência de se
promover uma formação cidadã e democrática, comprometida com a realidade social
brasileira, sensível às especificidades regionais e orientada pela noção da
integralidade na saúde.
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No entanto, a análise das propostas também revela uma
contradição na apropriação e operacionalização do paradigma defendido.
Percebe-se nelas a dificuldade de ruptura do modelo tradicional, centralizado
na transmissão de conhecimento, na normatização de um currículo mínimo,
organizado em disciplinas, e focado ainda na idéia de grade curricular. Essa
contradição reflete a processualidade histórica da construção do conhecimento e
a complexidade da implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais, que visam
à formação de competências e habilidades para uma outra relação com os saberes.
As dimensões fundamentais enfatizadas nas propostas do
Eixo 1 foram categorizadas por temáticas, tais como:
a) Projeto político-pedagógico;
b) Política das práticas profissionais na formação em
Psicologia;
c) Política de formação docente para o ensino da
Psicologia na Saúde Pública/Saúde Coletiva.
No Eixo 2, foram categorizadas propostas que se referem
à articulação da formação em Psicologia e a participação social.
|
Eixo 1:
Formação em Psicologia & Integralidade da Saúde
3. Optou-se por manter o termo projeto político
pedagógico, apesar de na última versão do Sistema Nacional de Avaliação
da Educação Superior utilizar apenas projeto pedagógico (MEC/SINAES
Avaliação de Cursos de Graduação: Instrumento, DF abril 2006)
http://portal.mec.gov.br/
arquivos/pdf/sinaes.pdf
4. Universalidade de acesso Integralidade de assistência Equidade
Regionalização Hierarquização Resolubilidade Descentralização Participação
social Complementaridade do setor privado [MS/Lei 8080/90 -
www.conselho.saude.gov.br]
5. Lei 10.216/2001. (Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas
portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial
em saúde mental)
6. Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular
e Saúde (ANEPS). |
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a) Projeto Político-Pedagógico
Eixo 1: Formação em Psicologia & Integralidade da
Saúde
Nesta dimensão, destaca-se, como estratégia legítima, o
envolvimento dos estudantes, professores, coordenadores de curso, funcionários,
profissionais e gestores de saúde na elaboração e implementação dos projetos
políticos-pedagógicos3. Estes são processuais, exigem reflexão contínua e devem
contemplar mecanismos avaliativos, os quais permitam o seu aperfeiçoamento.
Enquanto instrumento de transformação, a elaboração e a implementação do
projeto político pedagógico devem promover a reflexão crítica, a produção de
conhecimento e também ações que impulsionem novos processos de subjetivação.
Nessa perspectiva, a mudança aspirada na formação em Psicologia não se limita à
inserção de novas disciplinas, mas refere-se à garantia de diferentes saberes
que ampliem o olhar sobre o humano.
Assim, os seguintes aspectos aparecem como princípios
norteadores para o projeto político-pedagógico:
-
inserir a discussão da Saúde Pública/Coletiva de forma transversal, superando a
segmentação teoria e prática, clínica e política, desde o início da formação;
-
garantir a participação discente na elaboração, execução e avaliação da
política-pedagógica do curso (Colegiados de Curso, Conselhos Consultivos, etc);
-
incentivar a participação discente nos espaços políticos como um dos meios
fundamentais na formação em Psicologia;
-
contemplar a compreensão das dimensões subjetivas, técnicas, políticas,
sociais, culturais, biológicas e ambientais do processo saúde-doença;
-
incorporar os princípios e diretrizes do SUS4 na elaboração da matriz
curricular;
-
garantir a transversalidade das perspectivas ética, política e democrática como
eixo da formação em Psicologia, inclusive para a compreensão da ética
profissional;
-
articular as diversas áreas da Psicologia na reflexão sobre as políticas
públicas de saúde e seu impacto na experiência subjetiva, na produção de formas
de sofrimento psíquico e na produção de saúde e bem-estar;
-
abordar, de forma crítica, as temáticas relativas à psicopatologia e à saúde em
geral, visando superar uma compreensão polarizada entre saúde e doença,
considerando as transformações e valores instituídos pela Reforma
Psiquiátrica5;
-
viabilizar o diálogo da Psicologia com as demais áreas de conhecimento,
inclusive o saber popular 6;
-
garantir a diversidade de métodos de ensino-aprendizagem, que contribuam para a
concretização dos princípios e diretrizes do SUS, tais como: trabalhos de
conclusão de curso, vivências, estágios integrados e multi-profissionais,
espaço de discussão intercursos, grupos de estudo e intersetoriais, etc;
-
prever momentos pedagógicos para o intercâmbio das experiências dos
profissionais da rede de saúde e das instituições formadoras;
-
considerar as especificidades regionais e a organização da territorialidade, no
que tange a estruturação dos serviços de atenção à saúde, tendo por base os
aspectos epidemiológicos, sócio-culturais, ambientais, político-econômicos e as
práticas cotidianas em saúde;
-
criar estratégias de avaliação que acompanhem a articulação da formação com as
políticas públicas de saúde;
-
afirmar a pesquisa e a produção do conhecimento como uma das práticas
fundamentais na formação do psicólogo;
-
apoiar uma formação que contemple ações de pesquisa as quais despertem no
estudante o compromisso com as demandas sociais;
-
divulgar os resultados de pesquisas de maneira ampla junto à sociedade e aos
órgãos de controle social, colaborando com a elaboração de políticas públicas
em saúde;
-
articular as atividades de ensino, pesquisa e extensão entre a graduação e a
pós-graduação na interface da Psicologia e Saúde Pública/Coletiva;
-
estimular fóruns permanentes de discussão sobre formação nos cursos de
Psicologia e intercursos.
b) Política das Práticas Profissionais na Formação em
Psicologia
Esta dimensão da formação em Psicologia propõe um
articulador coletivo para a elaboração de uma política de práticas
profissionais com a participação estudantil, a docente, a de gestores da saúde
e da educação, movimentos sociais, entre outros, para a consolidação do Sistema
Único de Saúde (SUS). Tais práticas devem ter um caráter multi-profissional,
interdisciplinar e intersetorial de modo que gerem a produção permanente de
conhecimento.
|
7. "o
reconhecimento da imprescindibilidade das ações realizadas pelos diferentes
profissionais de nível superior constitue um avanço no que tange à concepção de
saúde e à integralidade da atenção", inclui o psicólogo como um dos 14
profissionais de saúde [CNS - Resolução No 287 de 08 de outubro de 1998]
8. "Estabelecer mecanismos de negociação intersetorial saúde/educação com os
respectivos gestores da educação ou dirigentes de escolas, para um progressivo
entendimento, com vistas a uma ação integrada e cooperativa que busque ajustar,
qualitativa e quantitativamente, a instituição formadora às demandas e
necessidades do SUS em âmbito dos sistemas municipais, estaduais e federal de
saúde com o estabelecimento e a definição de responsabilidades conjuntas."
(NOB/RH-SUS, 2004)
9. Art. 196. A saúde é direito de todos e dever
do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem
à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal
e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
[Constituição Federal do Brasil, 1988]
Art. 3º A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre
outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente,
o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso
aos bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam
a organização social e econômica do País. [Lei 8080/90 -
www.conselho.saude.
gov.br ]
10. MS/MEC - Portaria Interministerial nº 2.117/2005
(Institui no âmbito dos Ministérios da Saúde e da Educação, a Residência
Multiprofissional em Saúde)
Resolução CFP nº 09/2000 (Institui e Regulamenta o Manual de Normas
Técnicas para a Residência em Psicologia na Área de Saúde)
11. "(...) propicia a reflexão coletiva sobre o
trabalho no SUS, que inclui a integralidade, a produção do cuidado,
o trabalho em equipe, a dinamização de coletivos, a gestão de equipes
e de unidades, a capacidade de problematizar e identificar pontos
sensíveis e estratégicos para a produção da integralidade e da humanização
(...) que promovam o diálogo entre as políticas gerais e a singularidade
dos lugares e das pessoas." (saude.gov.br)
Eixo 2: Formação em Psicologia & Participação Social12
12. "É uma das maneiras de se efetivar a democracia, por meio da inclusão
de novos sujeitos sociais nos processos de gestão do SUS como participantes
ativos nos debates, formulações e fiscalização das políticas desenvolvidas
pela Saúde Pública brasileira, conferindo-lhe legitimidade e transparência"
(saude.gov.br)
|
|
Conhecer e compreender as práticas dos psicólogos no SUS é um eixo fundamental
para qualificar o processo de formação em Psicologia7. No entanto, quando não
há articulação entre as práticas psicológicas e à realidade a ser enfrentada na
rede pública de saúde, desde a graduação, muitos são os desafios impostos à sua
inserção e participação no SUS. Neste sentido, é pertinente:
-
criar estratégias de mapeamento e divulgação das práticas desenvolvidas pelos
psicólogos na Saúde Pública/Coletiva;
-
construir indicadores (qualitativos e quantitativos) das práticas psicológicas
que reflitam a atuação do psicólogo na área da saúde, para subsidiar a
interlocução com os demais profissionais e gestores de saúde;
-
realizar avaliação permanente e reflexão crítica sobre as práticas dos
psicólogos, que proporcionem a sua ressignificação, de acordo com a lógica do
SUS.
Estágios Básicos e Específicos
-
desenvolver estágios em todos os espaços de atenção à saúde e em diferentes
cenários onde a sua produção e a do cuidado ocorrem, assim como em todos os
âmbitos do SUS8;
-
delimitar as funções dos gestores de saúde, e das instituições de ensino, no
planejamento e na execução dos estágios, em sua responsabilidade mútua e
integradora;
-
orientar os estágios para o desenvolvimento de pesquisas que identifiquem as
demandas e necessidades de saúde regionais, a fim de organizar as práticas
psicológicas oferecidas no SUS;
-
pensar a saúde9 como um fenômeno complexo e de produção social e, portanto,
pertinente a todos os cenários de atuação do psicólogo, e não restrito àqueles
que trabalham diretamente no setor da saúde;
-
promover estágios multiprofissionais, nos mais variados âmbitos e cenários do
SUS, integrando docentes e discentes das diversas áreas da saúde.
Serviços de Psicologia
-
redefinir a função sócio-acadêmica dos Serviços de Psicologia, dialogando com
funcionários, discentes, docentes e a população;
-
articular a concepção dos Serviços de Psicologia com os princípios do SUS,
particularmente as noções de universalidade, integralidade e participação
social;
-
construir uma relação mais orgânica com a rede de saúde, através do
planejamento estratégico com o SUS;
-
redefinir os modelos de atuação tradicionalmente subjacentes à formação
oferecida nos Serviços de Psicologia;
-
caracterizar a população que procura os Serviços de Psicologia, assim como as
demandas individuais e coletivas potenciais para organizar as ações de atenção.
Residências Multiprofissionais na Área da Saúde
Nota-se uma preocupação e uma mobilização para ampliar o
número de Residências Multiprofissionais em Saúde10 a fim de contribuir com a
formação dos psicólogos, a partir da noção da integralidade da saúde. Neste
tópico, foram consideradas importantes, as seguintes proposições:
-
planejar as residências multiprofissionais em saúde a partir da lógica do
trabalho integrado, territorial e em rede;
-
divulgar amplamente a importância desta estratégia de 'ensino-aprendizagem em
serviço' para toda a comunidade acadêmica;
-
desenvolver atividades em todos os espaços de atenção à saúde e em diferentes
cenários onde a sua produção e a do cuidado ocorrem, assim como em todos os
âmbitos do SUS.
c) Política de Formação Docente para o Ensino da
Psicologia e Saúde Pública/Coletiva
Considerando os aspectos fundamentais (generalista,
multiprofissional, interdisciplinar, cidadão e democrático) da formação de
psicólogos para a consolidação do SUS, percebe-se a necessidade de
compatibilizar a formação docente com tais aspectos, a partir da criação de
estratégias de Educação Permanente11 para o ensino, pesquisa e extensão.
Nesta direção, destacam-se as seguintes diretrizes para a definição de tal
política:
-
conhecer e divulgar a produção dos pesquisadores psicólogos na interface
Psicologia e Saúde Pública/Saúde Coletiva;
-
discutir as condições de trabalho docente e sua organização na articulação dos
serviços docentes-assistenciais;
-
elaborar estratégias institucionais de participação dos docentes nas atividades
de ensino, pesquisa e extensão na rede de saúde, que considerem os diferentes
vínculos empregatícios com as instituições formadoras;
-
apoiar a criação de linhas de pesquisa e extensão vinculadas ao potencial de
trabalho oriundo da presença do psicólogo no SUS;
-
fomentar a publicação relativa à produção da Psicologia e Saúde Pública/Saúde
Coletiva em diversos meios;
-
estabelecer interlocução com os Sindicatos Profissionais e Sistema de Conselhos
de Psicologia, visando discutir a valorização profissional e as relações de
trabalho no SUS.
Este eixo diz respeito a um dos temas que
tradicionalmente esteve fora dos interesses imediatos da formação em
Psicologia. Trata-se de discutir a articulação das instituições formadoras com
os Movimentos Sociais para fazer avançar a formação em Psicologia e defender o
SUS como um projeto de sociedade democrática. Destacam-se, a seguir, as
propostas deste item:
-
promover ações junto aos Movimentos Sociais com o objetivo de aproximar a
formação em Psicologia das diversas realidades brasileiras;
-
divulgar os Pólos de Educação Permanente e incentivar a participação dos Cursos
de Psicologia nos mesmos;
-
promover e apoiar estratégias de discussão sobre o funcionamento e gestão do
SUS com a população e a comunidade acadêmica, tendo como pressupostos a saúde
como um direito de todos e o controle social;
-
incentivar a participação de estudantes, docentes e coordenadores de cursos nos
Conselhos de Saúde e de Educação;
-
estimular a relação entre o Movimento Estudantil e os Movimentos Sociais em
Saúde;
-
fomentar estágios em Psicologia nos espaços nos quais há atuação dos Movimentos
Sociais em Saúde.
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Psicologia e
Saúde Pública /Coletiva:
o convite da ABEP para dar continuidade ao processo... |
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O processo de construção das Oficinas, aqui retratadas,
foi muito profícuo. Elas se constituíram como espaços de diálogo e reflexão.
Como resultado disso, elas tomam a forma de um documento o qual se insere num
momento sócio-político e histórico que traz as limitações inerentes a nossa
historicidade, porém, projeta o ideal reafirmado de uma sociedade democrática e
de um saber que contribui para a sua promoção. Traz também um desejo de
refinamento da relação da Psicologia com a Saúde Pública/Coletiva, reflexo do
nosso compromisso social.
O fato da ABEP, seus convidados, colaboradores e
parceiros oportunizarem estes encontros deu visibilidade a dois aspectos que
merecem ser registrados para marcar a urgência da temática Formação em
Psicologia para o SUS na sua agenda permanente.
O primeiro deles foi refazer a idéia simplista de que os
psicólogos não se importam com a dimensão política subjacente ao delineamento
da Psicologia como ciência e profissão. O segundo, não menos importante, e
conseqüente, foi o fato do investimento pessoal e profissional de um grupo de
seis mil pessoas interessadas em colaborar com a tarefa honrosa que é defender
o SUS. Dentre elas, a maioria proveniente da Psicologia.
Aqui não se pode omitir a presença marcante de
psicólogos e daqueles diretamente responsáveis pela formação em Psicologia. No
entanto, é importante mencionar a participação dos estudantes, gestores de
saúde e das instituições de ensino, pesquisadores e todos os curiosos da
temática Psicologia e Saúde Pública/Coletiva, os quais responderam tão
prontamente o convite da ABEP e deram contribuições fundamentais para os
trabalhos realizados.
Estas Oficinas foram conduzidas considerando a defesa do SUS a partir de um
processo participativo e democrático. A palavra transitou em todas as regiões
do país, e espera-se mantê-la em movimento a partir da sua inscrição neste
Relatório. Fala-se como abepiano(a), diante de todo este processo, não há
motivos para pensar o contrário com os resultados destes encontros. Não há
razões para isso, após fazer da proposta de cinco oficinas, 38 realizadas.
Estas Oficinas foram conduzidas considerando a defesa do SUS a partir de um
processo participativo e democrático. A palavra transitou em todas as regiões
do país, e espera-se mantê-la em movimento a partir da sua inscrição neste
Relatório. Fala-se como abepiano(a), diante de todo este processo, não há
motivos para pensar o contrário com os resultados destes encontros. Não há
razões para isso, após fazer da proposta de cinco oficinas, 38 realizadas.
Seguindo nesta direção, desejamos mudanças sensíveis aos
cenários locais conectados sutilmente ao cenário nacional da realidade social
brasileira. Podemos finalizar com satisfação e com muita clareza, lembrando o
que nos espera: muito trabalho para viabilizar e operacionalizar as diretrizes
aqui sistematizadas. Bom trabalho para todos nós!
Todos os resultados das Oficinas da ABEP estão
disponíveis em:
www.abepsi.org.br
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Aos colaboradores, conferencistas, técnicos e
convidados...
Wilmar Roberto Gaião, William Gil Pinheiro Pinto,
Willher Nogueira dos Santos, Wilka Coronado Antunes Dias, Wânia Claúdia Di
Lorenzo, Wanderley da Silva, Walter da Rocha Araújo, Wagner José Klockner,
Vládia Jucá, Vera Kodjaoglanian, Vânia Carneiro Franco, Vanessa Denardi,
Valternardes Carvalho, Valquiria Cunha, Theny Mary, Thais Kampf, Sueli
Terezinha F. Martins , Sônia Fleury , Solane Maria Costa, Simone Biangolino
Rocha, Sílvio Lopes, Silvia Helena Batista, Silvana Carneiro Maciel, Sérgio
Belon, Selma de Jesus Cobra, Sandro Soares, Sandra Maria Salles Fagundes, Sady
Torres Marchesin, Rozana Vilela, Roselane Sousa, Ronaldo Tenório, Robson
Araújo, Ricardo Burg Ceccim, Regina Oliveira Marques, Raquel Moraes Sampaio
Araújo, Rafael Silva West, Petrúcia Ferreira, Pedro Paulo Mendes, Paulo
Gabrielle, Paulo de Tarso, Paulete Gonçalves Da Costa, Otacília Batistelli,
Ogle Beatriz Bacchi, Odete Godoy Pinheiro, Odair Furtado, Nilza Maria Molina
Mendes, Nilton Júlio de Faria, Nelson Figueira Junior, Neli Senna, Nazaré
Hayasida, Naomar de Almeida Filho, Najla Assy, Monique Esperdião, Michelly
Silveira, Marta Azevedo dos Santos, Mariza Borges, Maria Stella Benello Ayres
Putinatti, Maria Luiza Cunha, Maria Inês Bittencourt, Maria Helena, Maria de
Fátima Lobo Boschi, Maria de Fátima Barucuhy, Maria das Graças Victor Silva,
Maria Cristina Sparano, Maria Aparecida Gobato Lopes Castro, Maria Aparecida
França, Maria Ângela Cassundé, Mari Nilza F. Barros, Marcus Vinicius de
Oliveira Silva, Marcília Simeão, Marcelo Montanha, Marcelo Magalhães, Marcela
Lucena, Lumêna Almeida, Castro Furtado, Luiz Carlos Moreira Hubner, Luís
Odorico Monteiro de Andrade, Luciano Fonseca, Luciana Lobo, Luciana Bettini
Pitombo, Lúcia Vilarinho, Liliana Santos, Lílian Deisy Ghizoni, Lígia Maria do
Nascimento Souza, Ligia Duarte, Liége Uchoa Azevedo de Araújo, Letícia Rauen
Delpizzo, Leôncio Camino, Lecy Moreira, Lea Lins, Lany Cavalcanti S. Barros,
Kathia Nemeth Perez, Júnia Lara, Juliana Pimenta, Juliana de Paula, Josélia
Barroso Queiroz de Lima, José Fernando Dos Santos, José Carlos Barbosa, José
Antônio Baltazar, Jorge Trannin, Joana Silva Piedade, Joana Marcos De Carvalho,
Joana D'arc Pereira de Souza, Jeane Tavares, Jairnilson Paim, Ione Martine,
Iolete Ribeiro, Ianni Regia Scarcelli, Humberto Verona, Heloiza Helena
Massanaro, Heloisa dos Reis M. Maximo, Heliana Feijó, Guaraciara Coutinho,
Gorete Ferreira, Gloria Elisa Bearzotti Pires Von Buettner , Geraldo Magela de
Teixeira, Gastão Wagner de Sousa Campos, Francisco Carlos, Esteves Alvarez,
Florianita C. Braga Campos, Flávia Cristhina Sampaio, Fernando Tenório,
Fernanda Lúcia Pereira Costa, Fabio Souza Santos, Evaldo Melo , Ester Melo,
Erika Kokai, Erick Migge, Eliete Portilho Molina, Eliane Seidl, Eliana Núbia
Moreira, Elcimara Meire da Rocha Mantovani, Eduardo Passos, Edézia Maria de
Almeida Gomes, Doris Diogo, Dione Mens, Diego Napolitano Curceli, Denise Streit
Morsch, Denise Matoso, Denise Machado Duran Gutierrez, Denise Cristina,
Danielle Soares, Danielle Barreto, Cristine Cabral, Cristina Barroso Martins,
Cristina Amélia Luzio, Cristiane Honório Venetikides, Corina Mendes, Conceição
Scaldaferri, Conceição Casulari, Cleuse Maria Brandão Barleta, Clara Ribemboim,
Cid Velloso, Christian Vichi, César Wagner de Lima Góis, Celso Francisco
Tondin, Cassiano Ricardo Rumin, Carolina Barbosa, Carmen Leontina e Ojeda Campo
More, Carmem Oliveira, Carlan Pacheco da Silva, Carla Weyne, Berto Gonçalo,
Armando Sérgio Emerenciano de Melo, Antônio Carlos de Cabral, Antonio Alves,
Ângela Maria Barbosa Neves, Anelise Porto, Andréia Sanches Garcia, Ana Vládia,
Ana Maria Moreno de Oliveira, Ana Maria Eulálio, Ana Maria Borges de Amaral,
Ana Lima, Ana Estela Haddad, Ana Alayde Werba Saldanha, Alfredo Veiga Neto,
Alexandro Silva de Jesus, Alex Mena Ávila, Alda Roberta Campos, Alcilene Maria
A. de Alencar, Adriana Castro, Adolfo Boavenuto, Adriana Rodrigues Domingues,
Adriano Pereira Jardim, Alcindo José Rosa, Alexandre Henz, Algaides Rodrigues,
Ana Claudia Tolentino Pires, Ana Lúcia Barreto, Ana Mercês Bahia Bock,
Bernadete Salles Baccini, Carmem Kalinowski, Caroline Zamboni, Celso Francisco
Tondin, Christian Vichi, Dreif de Assis Gonçalves, Edilene Almeida, Eduardo
Leal Cunha, Francisco de Jesus Silva de Sousa, Gustavo Lopes Neto, Isadora
Oliveira, Janaína Ferreira Pereira, Janisse de Oliveira Carvalho, Juliana
Tavares Ferreira, Karen Cristina Martins Alves, Leonardo Bastos, Sindicatos e
Conselhos Regionais e Federal de Psicologia [...]
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